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Operação caça policiais que exploravam a bandalha no Rio

Secretaria de Segurança e Corregedoria da PM tentam prender 53 policiais que atuavam cobrando propina para permitir venda de pirataria, transporte ilegal e tráfico de drogas

Quem se depara com a confusão nos centro de comércio do Rio, com todo tipo de camelôs, produtos piratas, transporte clandestino e, curiosamente, agentes da lei, tem dificuldade de entender a mistura. Apesar das irregularidades flagrantes, a paz reina e a bandalha é o padrão. Uma operação policial deflagrada na manhã desta terça-feira pela Secretaria de Segurança do Rio, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público e a Corregedoria da Polícia Militar ajuda a decifrar o mistério: até o fim da manhã, das 54 pessoas presas por envolvimento com extorsão, pirataria e transporte ilegal, 41 eram policiais. Ao todo, a ação tenta cumprir 78 mandados de prisão, entre os quais 53 contra policiais militares, sete contra policiais civis e 18 contra outros acusados. Investigações apontam que os suspeitos extorquiam camelôs e mototaxistas na região de Bangu, na Zona Oeste, e em Honório Gurgel, na Zona Norte.

Sob o sugestivo nome de Operação Compadre, numa referência à camaradagem que impera entre os agentes e os clandestinos, a ação descobriu que os policiais faziam vista grossa para comerciantes que trabalhavam com mercadorias pirateadas, como DVDs, aparelhos eletrônicos, telefones celulares, roupas e relógios. Para operar nessas regiões, os comerciantes eram coagidos a pagar 70 reais, divididos em duas parcelas de 35 reais cobradas todas as quartas e quintas-feiras. Quem não pagava, tinha os produtos apreendidos. E o que era apreendido alimentava outro ciclo de irregularidades: os agentes revendiam o material a outros feirantes.

Em troca de dinheiro, os policiais permitiam que mototaxistas transportassem drogas sem sofrer qualquer tipo de repressão. Alguns sequer tinham habilitação, mas o pagamento da propina permitia que trafegassem livremente.

Atuando de forma organizada, com funções determinadas e escala hierárquica, a quadrilha dividia os lucros entre policiais militares dos 9º e 14º BPMs (Rocha Miranda e Bangu), policiais civis da 34ª DP (Bangu) e da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), além dos comerciantes e mototaxistas coniventes com o esquema.