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O milagre de São Gonçalo

A cidade de pescadores e agricultores cresce onze vezes mais do que São Paulo e atrai estrangeiros em busca de dinheiro rápido

O italiano Sebastiano di Ruocco trocou Turim por Fortaleza durante o início da crise econômica na Europa, ainda em 2009. Profissional do mercado imobilário, ele acreditava que ganharia mais dinheiro no Brasil. E estava certo. Mas os lucros só aumentaram significativamente quando Sebastiano encontrou um sócio brasileiro e passou a investir na compra de terras em São Gonçalo do Amarante (CE), em 2011. Ele não tem do que reclamar: “Não vou sair daqui em menos de quatro ou cinco anos”, diz.

Sebastiano e seu sócio brasileiro foram ágeis em perceber o potencial de valorização da região em volta do Porto do Pecém, uma área de vegetação nativa que aos poucos cede espaço ao que vai ser um grande polo industrial. Na época, eles chegaram a pagar 16 centavos por metro quadrado em um terreno. Poucas empresas imobiliárias haviam notado a oportunidade que se abriu.

De fato, é difícil acompanhar velocidade de crescimento de São Gonçalo do Amarante. Entre 2005 e 2011, o PIB da cidade de agricultores e pescadores aumentou numa velocidade onze vezes superior ao da cidade São Paulo. O principal propulsor desse crescimento foi a construção da Companhia Siderúrgica do Pecém – joint venture entre a Vale e as sul-coreanas Dongkuk e Posco -, que se instalou no município graças à expansão do porto e à criação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), a primeira a operar no país.

“Trata-se de um distrito industrial incentivado e focado em exportação”, diz César Ribeiro, presidente da ZPE Ceará. “As indústrias instaladas têm total isenção do imposto de importação e de outros três tributos federais”. Quando pronta, no final de 2015, a usina produzirá a cada minuto 5,7 toneladas de placas de aço que serão destinadas principalmente ao mercado asiático.

Além disso, outras dezessete indústrias também foram atraídas pelo porto, mas estão se instalando em outras áreas do município. Em julho, a Crusoé Foods, subsidiária da espanhola Jealsa, vai começar a enlatar 25 toneladas de sardinha e atum por dia no distrito de Siupé. Outro destaque é Companhia Interamericana de Tecnologia Aeroespacial, que vai investir 450 milhões de reais numa fábrica de helicópteros.

O terminal do Pecém é importante não só para as empresas exportadoras, mas também para as fábricas que utilizam matéria-prima vinda do exterior. É por isso que, em cinco anos, muitas das onipresentes carnaúbas de São Gonçalo do Amarante devem dar lugar a galpões industriais..

O ônibus da Expedição VEJA deixou São Gonçalo do Amarante pouco depois das 9h deste domingo. Nossa próxima parada será em Iguatu (CE), no caminho para Petrolina (PE).

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