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O Maracanã cercado por UPPs

Inauguração da 18ª Unidade de Polícia Pacificadora, na Mangueira, forma cinturão ao redor do estádio. Projeto avança, apesar dos casos de corrupção

Por Da Redação - 3 nov 2011, 10h35

Outras 11 favelas na vizinhança do estádio já têm esse tipo de ocupação, como prevê o projeto do governo do estado para a Copa de 2014. Na teoria, a ocupação significa que a segurança do palco da final da Copa no Brasil está resolvida, e esse dado é importante para renovar o compromisso internacional do Rio para 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, vai inaugurar às 15h desta quinta-feira a 18ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do estado. A favela da Mangueira, famosa pelo samba e, infelizmente, também pelos tiroteios, vai receber uma unidade com 400 policiais, que ocuparão uma sede provisória. A inauguração tem, além do peso simbólico para o projeto, um efeito prático importante: com ela, fecha-se, em torno do estádio do Maracanã, uma espécie de cinturão de favelas ocupadas pela polícia.

Outras 11 favelas na vizinhança do estádio já têm esse tipo de ocupação, como prevê o projeto do governo do estado para a Copa de 2014. Na teoria, a ocupação significa que a segurança do palco da final da Copa no Brasil está resolvida, e esse dado é importante para renovar o compromisso internacional do Rio para 2014 e para os Jogos Olímpicos de 2016.

Mas episódios recentes em uma das UPPs no entorno do Maracanã mostram que a ocupação não garante a saída da bandidagem. Pior: o bandido pode estar dentro da polícia. Na UPP dos morros do Fallet e Fogueteiro, o comandante e seu subordinado direto foram presos, acusados de receber mesada de traficantes.

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A situação na Mangueira, ocupada pelo Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) desde junho, é a síntese de um dos problemas do programa de UPPs. Para manter o ritmo de ocupações, é preciso formar policiais novos. E, assim, afastar o risco de que velhas práticas indesejáveis da PM sejam perpetuadas nas novas unidades – principalmente a corrupção, a promiscuidade em relação ao tráfico de drogas e o conceito de que a PM primeiro atira, depois pergunta. O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, quer que o policial seja um servidor da população, não um guerreiro, como afirmou repetidas vezes.

A Mangueira, com cerca de 20 mil moradores – além dela estão na conta as favelas do mesmo maciço – foi ocupada sete meses depois do Complexo do Alemão, mas receberá a UPP oito meses antes. O motivo mais evidente é a diferença de tamanho, que exigirá, no Alemão, um contingente maior de policiais. A ação no Alemão não respeitou o cronograma inicial, pois foi uma reação necessária a uma série de ataques coordenados a partir daquele conjunto de favelas, que amedrontou todo o estado.

O resultado disso foi que, no Alemão, as Forças Armadas entraram e não puderam mais sair. No momento, o Exército comanda uma força de pacificação que enfrenta problemas por exercer, por um período longo, algo para o qual seus quadros não estão preparados – nem autorizados por lei a fazê-lo.

O ministro da Defesa, Celso Amorim, admitiu no Rio que a permanência por longos períodos não é função dos militares. Mas, no momento, essa é a única forma de manter o pé do estado em uma área com cerca de 80 mil moradores, em 13 favelas. A rigor, as Forças Armadas só poderiam exercer papel de polícia em caso de intervenção no estado do Rio, o que não ocorreu.

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