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No comando do PSB do Rio, Romário apunhala seu padrinho político

Ex-jogador quer tirar o mandato de prefeito de Alexandre Cardoso, que o inventou como candidato a deputado federal

Por Thiago Prado 9 dez 2013, 08h47

Repetem-se na história recente da política fluminense os casos em que criador e criatura tornam-se inimigos de morte. Foi assim com Cesar Maia e Leonel Brizola; Luiz Paulo Conde e Cesar Maia. Cesar e Eduardo Paes; Anthony Garotinho e Brizola; Sérgio Cabral e Garotinho. Recém-nomeado presidente do PSB no Rio de Janeiro, o deputado federal Romário seguiu a tradição ao abrir, no mês passado, uma batalha jurídica contra Alexandre Cardoso, prefeito de Duque de Caxias responsável por sua entrada na política em 2010. O ex-jogador quer tirar o mandato de Cardoso, com quem brigou nos últimos meses, e entrega-lo a outro partido.

A sede de vingança de Romário teve origem em 2012, quando Alexandre Cardoso, então presidente do PSB, vetou o projeto do Baixinho de lançar-se candidato a prefeito do Rio, para enfrentar Eduardo Paes, então em uma confortável campanha para a reeleição. Ressalte-se que Romário, no fundo, não queria vencer e ser prefeito. A intenção era se cacifar para pleitear cargos na gestão de Paes. A divergência atiçou uma rivalidade que já ocorria, mas limitava-se aos círculos partidários, com a insistência de Cardoso em manter controle sobre os votos de Romário no Congresso. Com a crise na mesa, o ex-craque abandonou o PSB.

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A partir do segundo semestre deste ano, os ventos mudaram entre os socialistas. Cardoso passou a se posicionar publicamente contra a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República e o rompimento da aliança com Sérgio Cabral no Rio de Janeiro. A vingança de Romário começava. Em setembro, a Executiva Nacional do PSB abriu processo de intervenção no diretório regional do Rio de Janeiro e afastou Cardoso da presidência. Dias depois, Romário retornava ao PSB e assumia o comando da sigla no estado.

O golpe estava consumado, mas Romário não se deu por satisfeito e decidiu tentar ampliar o placar. Sem alarde, no mês passado, o PSB ingressou no Tribunal Regional Eleitoral contra Alexandre Cardoso pedindo de volta o seu mandato como prefeito de Duque de Caxias por infidelidade partidária. VEJA teve acesso à acusação de Romário e à defesa de Cardoso no processo. Ambos estão repletos de ataques pessoais.

Romário quer entregar o mandato de prefeito a Laury de Souza Villar (PDT), vice de Cardoso. O curioso é que o PDT não é aliado do PSB no estado nem na esfera federal. Romário ataca a atitude de Cardoso de se opor à candidatura de Campos e de sair do partido: “Não houve qualquer tipo de perseguição, discriminação pessoal ou mudança de programa partidário. É um absurdo se opor ao sonho maior de seu partido de disputar a presidência. Nada mais é do que tática calculada para agasalho futuro de sua espúria pretensão política”, diz, em sua peça de acusação.

Através de seu advogado, Cardoso se defendeu com chumbo grosso. Acusa Romário de ter um tom “arrogante” e “empafioso” como presidente do diretório estadual. “É equivocada a concepção de que todos os filiados de um partido político estariam obrigados a aceitar servilmente, de joelhos, radicais mudanças impostas pelo seu líder nacional, dando de ombros para as suas próprias ideologias até então defendidas”.

Cardoso, que também se diz perseguido e retaliado, acusa Romário de “coronelismo” e ataca Campos, que passou quase sete anos na base do governo Dilma Rousseff. “(Houve) metamorfose abrupta da linha partidária, como num passe de mágica tornou-se oposição empedernida. Num gesto de ingratidão e sentimentos menos nobres, o PSB quis passar uma borracha em toda essa história”.

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