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MP: alvo da Operação Dragão era elo entre corruptos e corruptores

Contas bancárias em nome de offshores no exterior, empresas de fachada e a celebração de contratos falsos eram os recursos usados para lavar o dinheiro

Por Da redação - Atualizado em 10 nov 2016, 14h34 - Publicado em 10 nov 2016, 12h12

O Ministério Público Federal disse nesta quinta-feira que os alvos da 36º fase da Operação Lava Jatodeflagrada nesta manhã, fizeram do crime sua profissão. Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran são responsáveis pela movimentação de dinheiro sujo, oriundo principalmente de relações criminosas entre empreiteiras e empresas sediadas no Brasil com executivos e funcionários da Petrobras. Contas bancárias em nome de offshores no exterior, empresas de fachada e a celebração de contratos falsos eram os recursos usados para lavar o dinheiro ilícito. 

“Há evidências de que eles atuaram de forma contínua, fazendo disso a sua profissão. Fizeram da lavagem de dinheiro sua profissão. Atividade criminosa não é profissão. O Estado não pode tolerar isso.”, afirmou o MPF em coletiva de imprensa nesta quinta.

De acordo com os procuradores, Duran trabalhou por dois anos no setor de Operações Estruturadas da empreiteira Odebrecht. Segundo revelações feitas por colaboradores que fecharam delação premiada, o advogado administrou contas fora do país.”Ele administrava mais de doze contas em nome de offshores e recebeu mais de 12 milhões de dólares nessas contas”, afirma a força-tarefa.

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Para a força-tarefa da Lava Jato, Duran era o elo entre agentes públicos e empreiteiras. “Rodrigo Tacla Duran era o elo entre os dois contextos criminosos, ele transitava entre os corruptores e os corrompidos e, justamente por isso, as provas colhidas em suas empresas são importantes. Ele faz a interface entre quem corrompe e quem é corrompido”, afirmou o procurador Roberson Henrique Pozzobon.

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Há um mandado de prisão preventiva aberto contra o advogado, que está  fora do país desde abril. Segundo os procuradores, ele viajava com frequência para o exterior e tem cidadania espanhola. Outro alvo da operação é o lobista Adir Assad, que já está preso na carceragem da PF, em Curitiba. “Era uma confraria criminosa”, afirmou a força-tarefa.

De acordo com o MPF, Duran foi responsável por lavar milhões de reais para empreiteiras envolvidas na Lava Jato. “A UTC revelou provas de que celebrou contratos de 56 milhões de reais com o escritório de advogacia de Tacla Duran. Foram sobrevalorizados ou inexistentes e resultaram num retorno de recursos de 35 milhões de reais”, afirmou Pozzobon.

Os procuradores também condenaram a tentativa dos deputados de anistiar a prática de caixa dois. “É preciso destacar que caixa dois é crime. Caixa dois é produto de crime e vem da prática de lavar dinheiro. O Brasil precisa dar um recado a essas pessoas. É a mensagem de que eles precisam ter medo de praticar esses delitos, pois eles virão à tona cedo ou tarde e eles serão responsabilizados”, afirmou Pozzobon.

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