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Morto em motel era peça central de quadrilha, diz procurador da Operação Turbulência

Paulo César de Barros Morato, de 47 anos, foi encontrado morto em um motel de Olinda (PE). Polícia suspeita de suicídio ou infarto

Por Felipe Frazão 23 jun 2016, 20h44

O procurador da República Claudio Henrique Dias, um dos investigadores da Operação Turbulência, disse a VEJA nesta quinta-feira que o empresário foragido da Justiça Paulo César de Barros Morato, de 47 anos, encontrado morto em um motel de Olinda (PE), era uma “peça central” do esquema de lavagem de dinheiro. “Ele era um dos testas de ferro do esquema, mas a investigação continua mesmo sem ele. Temos muito material. Ele era uma das peças centrais realmente, mas não agia sozinho e sim em conjunto com os outros, com a orientação. A morte dele não atrapalha as investigações. Nosso foco é seguir o caminho que o dinheiro percorreu”, disse o procurador. Tanto o Ministério Público quanto a Polícia Federal têm interesse em fechar um acordo de colaboração premiada com um dos outros quatro alvos da operação que foram presos preventivamente.

Segundo o integrante do Ministério Público na cúpula da Operação Turbulência, até agora todas as movimentações com indícios claros de lavagem de dinheiro foram feitas em favor de políticos ou campanhas eleitorais – além, é claro, dos próprios operadores, que tinham lanchas, carros de luxo e SUVs, dois helicópteros e um avião monomotor, entre outros bens. Na origem dos repasses, estão empreiteiras como OAS e Camargo Correa.

Morato era acusado de lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica. Ele e outros comparsas movimentaram 600 milhões de reais nos últimos seis anos. A Polícia Federal encontrou indícios de que o esquema foi usado por políticos e teria servido à campanhas do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, em 2010 e 2014. Uma empresa de fachada em nome de Morato, a Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem, recebeu um repasse suspeito de 18,8 milhões de reais da empreiteira OAS. Conforme a PF, parte do dinheiro serviu para a compra do jatinho Cessna PR-AFA cuja queda em 2014 matou Eduardo Campos, então candidato a presidente. A empresa diz que trabalhava em obras da Transposição do Rio São Francisco. “É claro que essa justificativa não convence. Eles não tinham capacidade para receber esse dinheiro todo”, disse Dias.

Claudio Henrique Dias diz que, seguindo o rastro do dinheiro, é possível que a Turbulência encontre novos gastos da campanha presidencial de 2014 bancados pela lavandeira milionária de Pernambuco. “Estamos seguindo o dinheiro”, afirma.

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Apontado como operador de propinas para Eduardo Campos, o empresário João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho disse que pegou emprestado com Morato quase 160.000 reais para pagar uma parcela da aeronave. O dinheiro saiu da conta da Câmara & Vasconcelos – o nome da empresa foi trocado recentemente para “Morato Locação e Terraplanagem”. O capital social é de 600.000 reais. O morto era o único dono dessa empresa e também da Lagoa Indústria e Comércio. A PF observa que, apesar das atividades declaradas, nem Morato nem as empresas tinham veículos do tipo caminhão registrados em seus nomes, algo comum no ramo.

No pedido de prisão preventiva, a Polícia Federal escreveu: “O vínculo de Paulo Morato com a organização criminosa é inconteste, uma vez que suas empresas são bastante utilizadas no esquema ora apurado. Elas foram utilizadas na aquisição da aeronave que vitimou o candidato Eduardo Campos, além de terem sido receptoras de recursos provenientes das empresas de fachada utilizadas no esquema de lavagem de dinheiro engendrado por Alberto Youssef [doleiro e delator da Operação Lava Jato] com relação ao pagamento de vantagens indevidas decorrentes da execução de obras da Petrobras.”

​Além do repasse da OAS, comprovantes bancários e planilhas fornecidos pelos operadores e delatores da Lava Jato Roberto Trombeta e Rodrigo Morales indicam que as contas da Câmara & Vasconcelos Locação e Terraplanagem receberam 2.175.000 de reais no período de setembro de 2010 a maio de 2011, fruto do esquema de lavagem e que a Lagoa Indústria e Comércio foi favorecida com mais de 3,6 milhões de reais oriundos de desvios de recursos públicos envolvendo obras da Petrobras.

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