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Morre Eduardo Portella, ex-ministro dos governos JK e Figueiredo

Crítico e escritor, membro da Academia Brasileira de Letras e ocupante de cargos no alto escalão da Unesco, ele tinha 84 anos e estava internado no Rio

Por Da Redação - 2 maio 2017, 14h49

Eduardo Portella, ex-ministro dos governos Juscelino Kubitschek e João Figueiredo e ex-diretor da Unesco (órgão das Nações Unidas para a educação e a ciência) e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), morreu aos 84 anos nesta terça-feira, no Hospital Samaritano do Rio de Janeiro, onde estava internado – a causa da morte não foi divulgada.

Nascido em Salvador em 8 de outubro de 1921, Eduardo Mattos Portela foi membro do gabinete civil de Kubitschek, ministro da Educação no governo Figueiredo – o último antes do fim da ditadura militar – e secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro no governo de Leonel Brizola (PDT). Tornou célebre a frase “Não sou ministro, estou ministro”, em referência à transitoriedade dos cargos públicos.

Deixou o ministério após apoiar a greve dos professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, o que lhe rendeu o apoio de intelectuais, como Alceu Amoroso Lima, que, em artigo no Jornal do Brasil, escreveu: “Caiu para cima”.

Também foi responsável por coordenar os temas de educação e cultura para a elaboração da Constituição de 1988, ligada à Presidência da República, e era desde 1981 o sexto ocupante da cadeira 27 da ABL, cujo patrono é Antônio Peregrino Maciel Monteiro.

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Ele ainda foi vice-presidente (de 1988 a 1993) e presidente (de 1997 a 1999) da Conferência Mundial da Unesco e foi eleito em 2000 e reeleito em 2003 presidente do Fundo Internacional para a Promoção da Cultura do mesmo órgão. Também foi fundador e diretor das Edições Tempo Brasileiro, editora que se notabilizou pela publicação de obras dos filósofos alemães Martin Heidegger e Jürgen Habermas.

Era professor emérito permanente da Universidade Federal do Rio de Janeiro e recebeu vários títulos honoríficos, entre eles a Gran Cruz de la Orden del Mérito Civil (Madri, 2001), Medalha Rui Barbosa (1999), Grã-Cruz da Ordem Rio Branco (1979) e títulos de doutor honoris causa das universidades federais da Bahia (1983) e do Ceará (1981).

Tem mais de 20 livros publicados, entre eles O Intelectual e o Poder (1983), Vanguarda e Cultura de Massa (1979), Fundamento da Investigação Literária (1973), Literatura e Realidade Nacional (1963) e José de Anchieta, Nossos Clássicos.

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