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Minas e Espírito Santo terão chuva forte até o réveillon

Inmet prevê temporais até o dia 3 de janeiro. Defesa Civil mineira informa 10 mortos e mais de um milhão de pessoas afetadas em 39 cidades

Por Da Redação 29 dez 2010, 16h16

Com quase 60 cidades afetadas pelas chuvas fortes desde o Natal, os estados de Minas Gerais e Espírito Santo devem começar 2011 ainda sob a ameaça de estragos causados por temporais. A previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de que a frente fria estacionada na região e as massas de ar quente e úmido vindas dos trópicos causem mais temporais. A previsão, nesta quarta-feira, é de que o tempo só melhore a partir do dia 1º. Em Minas, já são 10 os mortos desde o dia 23 e 39 cidades foram afetadas. Segundo boletim divulgado pela Defesa Civil mineira, em todo o estado já há 1.175.600 pessoas afetadas – entre desalojados, desabrigados, feridos ou prejudicados de alguma forma por alagamentos e deslizamentos. No Espírito Santo, 19 cidades têm registro de estragos e a estimativa é de 1.600 desalojados.

“Alertamos as defesas civis desses dois estados (MG e ES) para a possibilidade de mais chuvas fortes. Nessa região, estacionou uma frente fria que veio do mar e entrou pelo Espírito Santo. Como continuam a chegar massas quentes e úmidas vindas dos trópicos, principalmente da região amazônica, o sistema vai se intensificando e gerando mais chuvas”, explicou o meteorologista Luiz Cavancanti, do Inmet.

Minas Gerais – O boletim da Defesa Civil mineira, atualizado às 16h desta quarta-feira, informa que houve 10 mortes ao todo, três delas na cidade de Lajinha e as outras em Belo Horizonte, Visconde do Rio Branco, Santa Maria do Suaçui, Juiz de Fora, Cataguases, Barbacena e Ponte Nova. Na região de Belo Horizonte, 953.577 pessoas foram afetadas de alguma forma pelas enxurradas. O total de desalojados no estado (pessoas que saíram de casa para se abrigar em casas de parentes ou amigos) é de 10.413. Já os desabrigados (que precisam ser acolhidos pelo poder público) são 907. Há registro de 29 feridos.

O governo do estado divulgou alerta de que, entre os dias 29 de dezembro e 3 de janeiro uma frente fria ficará estacionada sobre Minas. Esse sistema, diz o comunicado, deverá favorecer a formação de chuvas com forte intensidade nas régios do Vale do Rio Doce, Mucuri, Campo das Vertentes, Baixo Jequitinhonha e Zona da Mata.

No Espírito Santo, as chuvas já afetam pelo menos 19 municípios, de acordo com a Defesa Civil. A cidade de Itarana decretou situação de emergência. Em todo o Estado, aproximadamente 173 pessoas estão desabrigadas e precisam de alojamento em abrigos das prefeituras. Outras 1.577 pessoas se encontram desalojadas e foram para a casa de amigos ou parentes. Desde domingo, as cidades mais atingidas foram Itarana, Itaguaçu, Muqui, Santa Maria de Jetibá, Mimoso do Sul, Laranja da Terra, Afonso Claúdio, Brejetuba, Iúna, Ibitirama, Santa Leopoldina, Ibatiba, Bom Jesus do Norte e Colatina. Na Grande Vitória foram registrados alagamentos em Vila Velha, Viana, Cariacica e Serra. Em Fundão, o rio aumentou seu nível em 2,20 metros e a defesa civil local está em alerta.

Segundo a Defesa Civil, na Rodovia BR-262, parte da pista próxima ao Posto Sete Belo, no Km 8, foi interditada devido a um alagamento. Também foi solicitada ao Departamento de Estradas e Rodagem (DER) a reconstrução emergencial de um trecho da Rodovia ES-164, próximo à Itaguaçu.

A previsão para a quinta-feira, de acordo com a Defesa Civil Capixaba, é de chuvas intensas nas regiões Serrana, Norteste (áreas próximas ao litoral) e Noroeste.

No interior de São Paulo, os moradores de São Luiz do Paraitinga, a 180 quilômetros da capital paulista, vivem mais uma vez a ameaça de enchente. No início do ano, a cidade foi alagada depois de um temporal que fez transbordar o Rio Piraitinga. Na época, mais de mil famílias tiveram que passar a semana fora de suas casas e a população ficou traumatizada. Nesta quarta-feira, o nível do Paraitinga, que está cerca de três metros acima do normal, tornou-se mais uma vez motivo de preocupação na cidade, que está em alerta para a possibilidade de uma nova cheia. Ruas próximas à margem do rio já chegaram a ficar alagadas, mas até o momento não há informações sobre desabrigados.

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No estado do Rio, Petrópolis, na região serrana, é a cidade com maior número de estrados causados pela chuva, que caiu na segunda-feira. Segundo a Defesa Civil da cidade, 254 ocorrências foram registradas desde o início dos temporais e há 48 famílias estão desalojadas e oito desabrigadas. Em Campos dos Goytacazes, no Norte do estado, 50 famílias estão isoladas por quedas de barreiras e alagamentos. O nível do Rio Paraíba do Sul, que corta a cidade, ainda é alto.

São Paulo e Rio – São Paulo e Rio não estão na lista de locais com possibilidade de chuvas fortes até o réveillon. Ainda assim, as defesas civis estão de prontidão. Os cariocas não estão livres da chuva na festa da virada, que reúne dois milhões de pessoas na Praia de Copacabana, mas a boa notícia é de que é baixo o risco de chuvas fortes. “Temos previsão de pancadas no fim da tarde e início da noite do dia 31 no Rio. Mas, de qualquer forma, não deve haver chuva forte”, prevê Cavalcanti.

Torcer – ou rezar, como fazem os integrantes da Fundação Cacique Cobra Coral, contratada pela Prefeitura – pode ajudar no Rio de Janeiro. Como explica o meteorologista do Inmet, não há como prever com certeza a chuva na virada este ano. “Os modelos matemáticos que prevêem chuva de 0,1 milímetro até 1 milímetro não têm 100% de confiança. Indicam que tem tudo para chover, mas pode ser que isso não aconteça”, informou.

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