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Com Temer e Bolsonaro, Marinha lança submarino Riachuelo

Equipamento da Marinha foi desenvolvido dentro do Prosub, programa de desenvolvimento da força naval, que começou há 10 anos

O primeiro de uma frota de quatro novos submarinos de ataque da Marinha do Brasil entra nesta sexta-feira, 14, no mar pela primeira vez, às 9h30, no Complexo Naval de Itaguaí, litoral sul do Rio de Janeiro. A cerimônia de lançamento do S-40 Riachuelo terá a presença do presidente Michel Temer (MDB) e o eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Os submarinos são de tecnologia francesa, transferida e parcialmente modificada por especialistas brasileiros. O presidente francês Emmanuel Macron era esperado para a solenidade, mas desistiu da viagem em razão da série de protestos contra seu governo.

O Riachuelo foi desenvolvido dentro do Prosub, programa de desenvolvimento da força naval, que começou há 10 anos. A meta é produzir ainda cinco submarinos, sendo quatro deles da classe Scorpéne, de propulsão por motores diesel-elétricos. O quinto equipamento deverá ser um submarino movido a energia nuclear, que será concluído até 2029. Os modelos convencionais serão concluídos até 2022.

O projeto original do Scórpene foi modificado para atender necessidades brasileiras. O submarino cresceu cerca de cinco metros e ganhou cerca de 400 toneladas. O submarino Riachuelo tem 75 metros de comprimento, pesa 2.200 toneladas e é alto como um prédio de quatro andares. Antes de ficar disponível para operações de combate, o Riachuelo passará por dois anos anos provas no mar.

Os testes incluem manobras que não serão repetidas em operação, como navegar à velocidade máxima por muitas horas e a grandes distâncias (37 km/h submerso e 22 km/h na superfície); emergir em ângulo vertical agudo e submergir em condição crítica. Também fará disparos de todas as suas armas e ensaiará a saída e o resgate de times de mergulhadores de combate.

Também estão previstos exercícios de incêndio, de naufrágio e de ações furtivas (em que o submarino não pode ser percebido por inimigos). Os limites de segurança do submarino serão testados em mergulhos de 350 metros. Só depois desses testes é que o Riachuelo poderá cumprir missões de controle das águas oceânicas de interesse do país.

A Marinha utiliza quatro submarinos da classe Tupi, de tecnologia alemã, comprados nos anos 1970. Um quinto equipamento, o Tikuna, foi concebido pelos engenheiros do estaleiro da Ilha das Cobras, no Rio. Toda a flotilha precisa passar por procedimentos de revitalização. Não há informações a respeito da disposição atual das unidades, de 30 anos em média.

Até o final do ano terão sido aplicados 17 bilhões de reais no Complexo Naval da Itaguaí, que ocupa uma área de 750 mil metros quadrados. Ao longo de 20 anos o investimento vai chegar a 37 bilhões de reais. Em 2016, a Procuradoria Geral da República determinou investigações sobre um possível superfaturamento de 2,8 bilhões de reais no Prosub.

A Marinha nega, e destaca que “não conhece qualquer irregularidade” nos contratos firmados com a Odebrecht Defesa e Tecnologia, parceira brasileira do Naval Group, francês. As obras são acompanhadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e por peritos da Fundação Getulio Vargas (FGV).