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Marina adia decisão e estende suspense sobre cenário eleitoral de 2014

Após ter o registro de seu partido recusado, ex-senadora anunciou que pensará mais um dia sobre a possibilidade de aderir a uma sigla já existente

Por Gabriel Castro e Marcela Mattos, de Brasília - 4 out 2013, 17h42

Após o revés sofrido no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a rejeição do registro da Rede Sustentabilidade, a ex-senadora Marina Silva adiou para este sábado sua decisão sobre a possível filiação a um partido já existente no cenário político brasileiro. “Ainda estou em processo de decisão. Vamos continuar conversando”, disse ela, na tarde desta sexta-feira, ampliando o suspense sobre os rumos das eleições presidenciais do próximo ano.

“Ainda tenho uma longa noite e um dia”, afirmou a ex-senadora, em referência ao prazo de filiação partidária – a legislação exige que quem for disputar um cargo nas urnas deverá estar filiado a uma legenda necessariamente um ano antes das eleições seguintes.

Desde a madrugada, diversas siglas ofereceram legenda para Marina disputar a Presidência da República, como o PPS e o novo PEN (Partido Ecológico Nacional). A ex-senadora, entretanto, hesita. Caso não aderir a nenhum partido, correrá o risco de perder o capital político de 20 milhões de votos que angariou nas eleições de 2010 e adiará seus planos para 2018. Porém, se decidir disputar o pleito no ano que vem, enfrentará o desgaste de embarcar em uma legenda de aluguel, que não carrega as bandeiras que a levaram a criar a Rede.

“Buscamos uma decisão coerente com a Rede. Não é um projeto de poder pelo poder, é um projeto de país, uma visão de mundo”, disse ela.

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A entrevista coletiva foi inicialmente agendada com a perspectiva de que Marina anunciasse sua decisão final. O pronunciamento foi marcado para as 15h. Depois, adiado para as 16h. Marina só apareceu às 17h30 – e sem novidade para anunciar. A protelação parece confirmar a fama da ex-senadora: a de ser alguém pouco hábil para tomar decisões práticas. As conversas devem tomar a noite.

Segundo aliados, os sucessivos adiamentos e alguns pontos do discurso adotado hoje sinalizam que a ex-senadora estaria disposta a se filiar a um partido e que a dúvida agora é decidir qual deles. Marina disse que a prioridade do partido é “fazer com que a gente aposente de vez a velha República e que possa estabelecer uma melhor contribuição para a renovação da política e das instituições políticas”.

“Nesse momento, o que nós queremos é verificar na realidade política quais são aquelas pessoas, aqueles movimentos e partidos que estão identificados com essa ideia de uma agenda estratégica para o país. As mobilizações que aconteceram não podem ser reduzidas a uma mera reivindicação onde se assumem compromissos e depois se esquecem os compromissos assumidos, achando que o que está sendo dito vai se acabar com o tempo. Não vai”, afirmou.

Revés – O registro da Rede foi negado na noite desta quinta-feira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No entendimento de seis dos sete ministros da corte – apenas Gilmar Mendes divergiu -, a legenda não cumpriu o requisito exigido em lei para a fundação de uma nova agremiação, que é a coleta de 492.000 assinaturas certificadas. Sob o argumento de que houve irregularidades no processo de validação dos apoiamentos nos cartórios eleitorais, a Rede queria que a Justiça concedesse o registro ao partido mesmo faltando cerca de 50.000 assinaturas necessárias.

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Antes mesmo do julgamento, Marina Silva recebeu propostas de diversos partidos que estão de olho na massa de eleitores que ela carrega. Nas últimas eleições, a ex-ministra do Meio Ambiente recebeu quase 20 milhões de votos, o referente a 19,3% dos votos válidos. Marina atualmente destaca-se como a mais bem colocada adversária na disputa eleitoral com a presidente Dilma Rousseff. Por isso, sua presença na corrida presidencial é considerada crucial pela oposição para forçar a disputa de um segundo turno.

Suspense – Após o TSE ter decido negar o registro à Rede, Marina manteve o suspense sobre seu futuro político: reafirmou que tinha em mente apenas um “plano A” e anunciou que manteria o esforço de criar sua legenda.

Em seguida, se reuniu com militantes para decidir seu futuro político. No encontro, que terminou com o dia já amanhecendo, a ex-senadora foi “extremamente pressionada” a se filiar a algum partido e continuar na disputa presidencial, conforme relatou o deputado federal Alfredo Sirkis (PV-RJ), presente na reunião.

Nesta manhã, Marina voltou a se reunir com a executiva da Rede para bater o martelo sobre seu rumo. Enquanto a cúpula estava reunida, o presidente do PPS, deputado federal Roberto Freire, recorreu ao Twitter para fazer um último apelo a Marina: “Reafirmo convite do PPS para que, junto com a Rede, [Marina] se integre conosco para ser candidata e disputar 2014”.

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