Clique e Assine a partir de R$ 7,90/mês

Marcha contra a corrupção em São Paulo fecha a Paulista

Um grupo de cerca de 20 punks protagonizou cenas de vandalismo que destoaram da celebração à democracia protagonizada pela maioria do público

Por Aiuri Rebello, Fernanda Nascimento e Júlia Rodrigues 12 out 2011, 17h12

Dizendo-se apartidários, os manifestantes alternaram gritos de “Fora, Lula”, “Fora, Serra”, com frases como “Político ladrão, seu lugar é na prisão”

Entre bandeiras do Brasil e cartazes carregados pelas 5.000 pessoas que participaram da manifestação contra a corrupção na tarde desta quarta-feira, em São Paulo, um grupo de cerca de 20 punks protagonizou cenas de vandalismo que destoaram da celebração à democracia protagonizada pela maioria do público. Os jovens quebraram vidros e jogaram pedras na lanchonete do McDonalds em frente ao Conjunto Nacional, próximo à Rua Augusta, e no Banco HSBC, na altura do número 1.700 da Avenida Paulista.

Gledson de Souza, um dos envolvidos no tumulto, foi detido pela polícia. O restante do bando se dispersou no meio da multidão e, até o momento, não houve outros incidentes.

A marcha saiu da frente do Masp por volta das 15h e, às 16 horas, desceu a Rua da Consolação em direção ao Theatro Municipal. Todas as faixas de trânsito da Avenida Paulista no sentido centro foram ocupadas pelos manifestantes. Na Consolação, somente o corredor de ônibus permaneceu aberto para os veículos. O congestinamento não tirou o bom humor dos motoristas, que buzinavam e interagiam em apoio aos manifestantes. Por volta das 17h, os manifestantes tomaram a escadaria do Municipal, onde encerraram o protesto cantando, em coro, o hino nacional.

Todas as tribos – Como no protesto do dia 7 de setembro, estudantes, motoqueiros, professores, índios, maçons e pessoas das mais variadas tribos e idades caminharam lado a lado. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), virou uma espécie de “símbolo da corrupção” para o movimento e foi o alvo preferencial.

Dizendo-se apartidários, os manifestantes também alternaram gritos de “Fora, Lula”, “Fora, Serra”, com frases como “Político ladrão, seu lugar é na prisão”. Entre as reivindicações estão a aprovação da constitucionalidade da Lei da Ficha Limpa, do Voto Distrital, o fim do voto secreto nas votações do Congresso e o fim da impunidade para corruptos.

O povo fala – “A corrupção descarada e a apatia dos brasileiros frente a isso são alguns dos problemas mais graves do nosso país”, disse o administrador de empresas aposentado José Aníbal Cruz, 66 anos. Ao lado do filho, Aníbal percorreu na manhã desta quarta-feira os 130 quilômetros que separam a cidade de Taubaté da capital paulista unicamente para participar das manifestações. “Temos que protestar. Não dá mais para ficar em casa”.

Continua após a publicidade

Com um grupo de amigos do colégio, a estudante Jéssica Correia, de 16 anos, estava ali para lutar por educação de qualidade. “O ensino público chegou perto do absurdo”, afirmou. “A prova disso é o péssimo desempenho das escolas estaduais no último Enem. Chega. Está na hora de consertar o Brasil”.

Em Brasília, a marcha desta quarta-feira reuniu mais de 10.000 pessoas. O próximo protesto em São Paulo está marcado para o feriado de 15 de novembro. Dessa vez, os manifestantes planejam acampar no vão do Masp na madrugada do dia 14 para o dia 15 com o objetivo de chamar ainda mais a atenção da população para o problema da corrupção no país.

LEIA TAMBÉM

Marcha contra a corrupção reúne 10 mil em Brasília

Entre 7 de setembro e 12 de outubro, os corruptos não pararam. Precisam ser detidos

Para alcançar resultados práticos, manifestantes terão de entrar no jogo político

As manifestações contra a corrupção transformaram este Sete de Setembro no Dia da Independência da nova geração

Quem são os manifestantes que pedem o fim da corrupção

Continua após a publicidade

Publicidade