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Manifestantes ameaçaram invadir QG da PM do Rio

A polícia sob pressão: grupos radicais colocam a polícia entre os inimigos prioritários do movimento, e passam a correr o risco de ver o policial eleger o manifestante como rival

Por Da Redação Atualizado em 10 dez 2018, 10h52 - Publicado em 22 jun 2013, 10h13

Por alguns momentos, na noite de quinta-feira, a onda de descontrole que tomou conta de um grupo de vândalos se aproximou do que seria um desfecho trágico, e com consequências inimagináveis. Com praticamente todos os policiais militares da região central da cidade mobilizados para os conflitos na região da prefeitura, um bando radical ameaçou invadir o Quartel General da corporação por volta das 22h40, aproveitando-se do pequeno efetivo que ficou na unidade. Naquele momento, havia cerca de 120 pessoas no QG, a maioria absoluta de militares encarregados dos serviços de informática, funções burocráticas ou outras missões que nada têm a ver com a rotina das ruas.

O alerta foi dado nas dependências da PM quando os manifestantes se aproximaram do Theatro Municipal. O chefe de pessoal da PM, alertado do perigo e das ameaças do grupo, determinou então uma operação de reforço: naquele momento, todos os policiais no QG deveriam vestir seus uniformes operacionais e apresentarem-se no pátio. Simultaneamente à correria dentro da PM, manifestantes avançaram pela rua Evaristo da Veiga em direção à Senador Dantas, e começaram a enfrentar um grupo do Batalhão de Choque. O número de manifestantes crescia, e era preciso reforçar o efetivo. Com o lançamento de bombas de efeito moral, parte do gás foi parar dentro do QG, onde a situação era tensa. Um grupo chegou a se posicionar em uma rota de fuga, que desemboca na Lapa, nos fundos do quarteirão, numa situação inédita na história recente do Rio.

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A PM, no Rio e em São Paulo, foi apontada pelos manifestantes como a origem da violência nos protestos das últimas semanas. Depois da animosidade, veio a fase em que os manifestantes tentaram atrair a polícia para o centro do protesto, explorando as mazelas das instituições policiais, os salários baixos e o fato de o PM, um homem do povo, ser “explorado”.

Na capital paulista, a tensão parece ter arrefecido, inclisive com cenas de manifestantes e homens fardados negociando sentados no chaõ. No Rio de Janeiro, durou pouco o período de paz. Desde a segunda-feira os policiais passaram a ser tratados como inimigos, na batalha da Alerj. Um policial foi derrubado e espancado por um grupo, o que levou outros PMs a fazer disparos para o alto. Começou, ali, uma rivalidade que tem todos os ingredientes de recrudescimento e risco para os dois lados – com uma desvantagem clara para os que não têm uma arma na cintura.

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Na quinta-feira, o que se viu nas ruas em frente à prefeitura do Rio foi um endurecimento, num sinal de que a cena de policiais acuados, como ocorreu na Alerj, não se repetiria com facilidade. Com a cavalaria, o Batalhão de Choque e o temido Bope, o Batalhão de Operações Especiais que atua em confrontos perigosos em favelas, a situação teve seu nível de tensão decuplicado. E da massa de 300 mil pessoas saíram mais de 50 feridos, depois de uma semana em que o saldo de bombas de efeito moral alcançou a marca de 4.000 granadas lançadas, de acordo com reportagem do site de VEJA.

PM do Rio usará bombas de efeito moral com o dobro da potência

Os homens mais preparados para esse tipo de confronto são os PMs do Batalhão de Choque, que atuam com escudos e, para desespero dos manifestantes, são capazes de progredir em uma rua mesmo quando sob ataque – e, claro, também batem forte e têm equipamentos para abrir uma picada na multidão. Mas mesmo estes policiais sentiram a pressão dos últimos dias. Desde 2003, quando o leilão de privatização da Vale, os policiais não enfrentavam um movimento tão intenso nas ruas – os de agora são infinitamente mais complexos, segundo policiais do Choque. E, diferentemente daquela situação, desde quinta-feira multiplicou-se a imprevisibilidade: nesta sexta-feira, um ajuntamento de pouco mais de mil pessoas resultou no saque a uma revenda de automóveis, enquanto pequenos protestos se espalhavam pela cidade.

O policial militar – individualmente, com suas fragilidades comuns a qualquer ser humano – é o elo fraco desse tipo de planejamento. Acuado, um policial que dispare, mesmo que por se sentir ameaçado, pode atingir um manifestante e tornar-se o centro nervoso de um levante fora de controle. E, a julgar pelos últimos movimentos dos radicais, o objetivo de uma ala dos manifestantes é propositalmente acuar a tropa.

Ninguém vai proteger vândalos, avisa o governador do Rio

O secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, depois da quinta-feira de baderna no centro do Rio, avisou, nesta sexta-feira, que não descarta uma ação do Exército na cidade. Isso já foi feito, por exemplo, para ocupar favelas como o Alemão – desrespeitando uma norma constitucional, segundo a qual as Forças Armadas só podem atuar como polícia em casos de intervenção federal. Antes dessa medida extrema, no entanto, o que deve entrar em prática é algo que vem favorecendo os vândalos infiltrados nos protestos. A partir de agora, a determinação da PM e da Polícia Civil é para prender quem for flagrado cometendo crimes, algo que ocorreu só em casos extremos.

Se cumprida a promessa, a polícia estará em acordo com o que defendeu em cadeia nacional de rádio e TV a presidente Dilma Rousseff: não transigir com baderneiros.

No episódio da tentativa de invasão ao QG da PM, depois do ponto máximo de tensão, ficou clara a diferença entre o que é protesto e o que é banditismo travestido de manifestação. Ao saírem do QG da PM, momentos depois da mobilização para tentar evitar uma invasão, os policiais descobriram um rastro de destruição. O grupo que promovia um quebra-quebra se dividiu: uma parte foi para a Cinelândia, outra para a Rua do Passeio, onde uma filial das Lojas Americanas foi saqueada. O Batalhão de Choque foi deslocado para o local, e chegou minutos depois da debandada. Uma TV de plasma espatifada no asfalto era a prova de que nem todos ali estavam na rua para protestar.

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