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Manifestação no centro de SP lembra fim da ditadura

Por Suzana Inhesta

São Paulo – Quase 200 pessoas se reuniram por volta das 12 horas deste domingo (1) junto ao Cemitério da Consolação, no centro de São Paulo, para iniciarem uma manifestação sobre a ditadura militar, organizada pelo Cordão da Mentira. Composto por ativistas políticos, grupos de teatro e sambistas de diversos grupos e escolas da capital paulista, o Cordão da Mentira questiona o “real fim” do movimento repressivo militar. A data foi escolhida porque neste domingo é comemorado o Dia da Mentira e ontem foram relembrados os 48 anos do Golpe Militar de 1964.

“Oficialmente, o período da ditadura acabou. Porém, o Brasil é o único país da América Latina que não julgou os criminosos da ditadura. Como não tivemos esse julgamento, temos ‘heranças’, marcas ainda presentes de repressão e violência contra movimentos sociais e o direito de livre expressão”, declarou à Agência Estado, por telefone, uma das integrantes da organização da manifestação, Priscila Oliveira.

Para outro integrante da organização, Fábio Franco, a intenção do Cordão da Mentira é recordar a participação civil no período ditatorial e apontar como o Estado Democrático ainda não estaria totalmente consolidado no País. “É um movimento estritamente pacífico, não utilizaremos provocações diretas”, disse Franco.

Às 12h20, havia cerca de 200 pessoas no local de concentração, no Cemitério da Consolação, mas a expectativa, conforme Franco, era reunir 1,4 mil pessoas (mil atraídas somente via Facebook e o restante por meio das reuniões dos apoiadores e organizadores). O Cordão comandaria um sarau intitulado “Luís da Gama”, em alusão ao poeta, escritor, jornalista e líder abolicionista, como protesto pela “farsa” do fim da escravidão.

Entre 13h e 13h30, o grupo começaria um desfile pelas ruas da cidade, visitando lugares marcantes do período da ditadura militar: Rua Maria Antônia (“guerra da Maria Antônia”); Avenida Higienópolis – sede da Sociedade Tradição Família e Propriedade (TFP), uma das organizadoras da “Marcha da Família com Deus Pela Liberdade”, que 13 dias antes do golpe convocava o Exército a se levantar “contra a desordem, a subversão, a anarquia e o comunismo”; Rua Martim Francisco; Rua Jaguaribe; Rua Fortunato; Rua Frederico Abranches; parada no Largo da Santa Cecília; Rua Ana Cintra – Elevado Costa e Silva; Rua Barão de Campinas; Alameda Glete; Rua Barão de Limeira; Rua Duque de Caxias – Cracolândia/Projeto Nova Luz; e Rua Mauá.

A dispersão, prevista para as 17h, estava marcada para esquina da Rua Mauá com a Rua General Osório, antiga sede do Departamento de Ordem Política e Social (Dops).