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Leblon quer organizar o ‘réveillon dos riquinhos’ no Rio

Evento promete reunir 'as pessoas mais bonitas no ponto mais top' da cidade, mas a prefeitura avisa que não vai dar autorização que a festa seja realizada

Dois milhões de pessoas se acotovelando na Praia de Copacabana à espera do show de fogos de artifício que anunciam a chegada do novo ano. Qualquer minúscula vaga na areia é disputada. Há um grupo de pessoas, porém, que também quer estar na praia para a festa mas prefere passar longe de toda essa confusão, e desfrutar de um réveillon em uma festa que se diz “diferenciada”, em um dos endereços mais nobres do Rio: o Leblon.

No Facebook, um evento promete isolar mil metros quadrados do Posto 12, na noite de 31 de dezembro deste ano, “ao lado do público mais selecionado, com serviço premium de bar e buffet, e é claro, de chinelo branco”. Mais de 550 pessoas confirmaram presença e a organização garante até abrigo da chuva para 2.000 convidados. A estrutura ainda deve contar com decks de madeira com carpete, climatização, segurança privada e palco com DJs.

É uma espécie de reedição da praia dos riquinhos – como ficou conhecido o Aqueloo Beach Club, espaço VIP dentro do Forte de Copacabana, que deu o que falar no verão passado. A festa acontecia na praia fechada, um local que nunca foi aberto ao público em geral, o que motivou uma série de protestos nas redes sociais. Diante da repercussão, que partiu de uma reportagem em VEJA Rio, o MP cobrou explicações do Exército, que cancelou tudo.

Ingressos – Agora, é o Réveillon do 12 que quer reunir “as pessoas mais bonitas no ponto mais top” do Rio. Os ingressos estão sendo vendidos pela internet e em pontos de venda em onze estados. Mulheres pagam 300 reais, e homens, 400. A produção não informa quantos já foram vendidos, mas avisa que o primeiro lote está chegando ao fim, o que deve elevar o preço. A festa terá também camarotes, com capacidade para 200 pessoas dispostas a pagar valores ainda mais altos – ainda não divulgados.

Sem autorização – Tudo parece detalhadamente planejado. A organização só não atentou para a questão do aval por parte dos órgãos competentes, o que pode esquentar o champanhe da festa. Nada foi comunicado à prefeitura do Rio que, aliás, nega ter recebido um pedido de autorização para a realização da festa privada nas areias do Leblon. A subprefeitura da Zona Sul informou ao site de VEJA que “o subprefeito Bruno Ramos desconhece a existência do Réveillon do 12“.

A Secretaria Municipal de Ordem Pública foi além, e afirmou que não deu nem dará autorização para qualquer evento que proponha o fechamento da faixa de areia do Leblon no último dia de 2014. A assessoria de imprensa da pasta acrescentou também que o secretário Alexander Vieira da Costa denunciará ao Procon a divulgação do evento. Mas, ao menos por enquanto, a página no Facebook confirma a realização da festa e pede apenas: “Capriche no chinelo”.

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