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Justiça autoriza prisão temporário de Bruno

Por Da Redação - 7 jul 2010, 08h19

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou, nesta quarta-feira, o pedido de prisão temporária do goleiro Bruno, do Flamengo, feito na noite de terça pelo Ministério Público. O jogador ainda não foi encontrado pelos policiais. Por volta das 8h, agentes entraram na residência dele, no Recreio dos Bandeirantes, e saíram 15 minutos depois – segundo a polícia, o goleiro não estava em casa. A delegada Alessandra Wilke, que preside as investigações, está no Rio, acompahando o decreto de prisão. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, foram expedidos oito mandados de prisão pela Justiça mineira, entre eles, mais dois contra Bruno e Macarrão, além da mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues Souza.

Mais cedo, Dayanne foi presa em Belo Horizonte. A prisão é temporária. Ela deve ser levada para a Penitenciária da Gameleira, na capital mineira. Dayanne estava com depoimento marcado para 14h. Ela contou à polícia ter recebido o menino Bruninho com um pedido do jogador para cuidar temporariamente da criança. Ela teria deixado o bebê com uma mulher em Ribeirão das Neves quando foi avisada, por amigos do goleiro, que a polícia iria ao sítio.

O promotor Homero das Neves Freitas Filho pediu à Justiça, no fim da noite de terça, a prisão temporária – por cinco dias – de Bruno de seu amigo e funcionário, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Os dois são suspeitos da morte da jovem Eliza Samudio. A situação do jogador se complicou a partir do depoimento de um menor de 17 anos que afirmou, na Delegacia de Homicídios do Rio, que Eliza está morta. O jovem confessou ter participado do sequestro e assumiu ter dado uma coronhada, com uma pistola, em Eliza, que a fez sangrar e ficar desacordada. Ele enegou, no entanto, que tenha matado a ex-amante do jogador. A prisão de Macarrão também foi decretada.

O sumiço de Eliza Samudio passou a ser tratado oficialmente como assassinato pela polícia de Minas Gerais, que conduz o inquérito. Os investigadores mineiros encararam com cautela a versão apresentada pelo menor, mas admitem que não há mais razão para acreditar que seja possível dissociar Bruno dos crimes de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver. O Ministério Público acolheu a solicitação da Divisão de Homicídios fluminense e o pedido, então, foi encaminhado ao plantão judiciário do Tribunal de Justiça do Rio. Ao deixar a delegacia, o promotor Homero Neves afirmou que o depoimento do menor é “crível, consistente”. A mãe de Eliza deve desembarcar ainda esta manhã em Belo Horizonte, vinda de Campo Grande. Ela vai prestar depoimento e colher material para conferir o DNA do sangue encontrado no carro e no sítio do jogador.

O adolescente seria um primo de Bruno e foi detido na casa do jogador, no Recreio dos Bandeirantes. O depoimento foi encaminhado à Delegacia de Homicídios de Contagem, onde corre o inquérito sobre o sumiço de Eliza. O jovem teve apreensão pedida pela polícia à Justiça e deve ser encaminhado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A polícia chegou até ele a partir de informações dadas por um parente à Rádio Tupi.

A história apresentada pelo adolescente é reveladora, mas não serve, ainda, para esclarecer a trajetória e o grau de envolvimento dos muitos personagens da trama – além do próprio Bruno e de seu braço-direito e amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão. Para as polícias do Rio e de Minas, a versão segundo a qual o jovem teria agredido Eliza ainda é “cheia de contradições”. O garoto conta que, junto com Macarrão, foi buscar Eliza em um hotel na Barra da Tijuca no dia 6. Armado, ele permaneceria atrás do banco da Land Rover de Bruno, enquanto Macarrão conduzia Eliza e o menino Bruninho, de quatro meses, até o sítio do jogador, em Esmeraldas. No meio do caminho, segundo relatou o menor, Eliza teria se assustado ao descobrir que o adolescente estava no carro. Houve discussão e o garoto, então, desferiu três coronhadas na cabeça da vítima. Eliza sangrou, ficou desacordada. “Mas não morreu ali”, disse à polícia.

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