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Júri absolve PMs acusados de matar integrante do PCC

Policiais da Rota foram acusados de atirar contra a vítima quando a levavam para ser socorrida após o tiroteio; decisão por absolvição foi unânime

Por Da Redação 15 nov 2012, 12h18

Os três policiais militares acusados de executar Anderson Minhano, em 28 de maio deste ano, na Rodovia Ayrton Senna, na Zona Leste de São Paulo, foram absolvidos nesta terça-feira pelo 4º Tribunal do Júri da capital, após dez horas de julgamento. O caso foi sentenciado em menos de seis meses.

Minhano era um dos seis suspeitos de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC) mortos depois de uma suposta troca de tiros com os agentes das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em um lava-rápido da Tiquatira, região da Penha. O evento é considerado o estopim da atual onda de criminalidade no estado.

O sargento Carlos Aurélio Thomaz Nogueira, de 42 anos, o cabo Levi Cosme da Silva Júnior, de 34, e o soldado Marcos Aparecido da Silva, de 37, foram acusados de atirar contra Minhano no acostamento da Ayrton Senna, perto do Parque Ecológico do Tietê, quando levavam o suspeito para ser socorrido, após o suposto tiroteio.

Testemunha – O relato da execução foi feito por uma testemunha, em tempo real, ao 190. Foram encontradas marcas de sangue onde ela dissera ter ocorrido o crime. Câmeras da concessionária da rodovia mostraram a viatura parada no local indicado.

No julgamento desta terça-feira no Fórum Mário Magalhães, os jurados absolveram por unanimidade os acusados. Segundo o advogado de defesa, Celso Machado Vendramini, a testemunha entrou em contradição – teria dito que eram quatro PMs na viatura e estava a 25 metros do local, quando a perícia apontou 68 metros de distância. “Acho que ela imaginou uma cena e narrou isso à polícia.”

Sobre o motivo da parada durante o socorro, o advogado manteve a versão dos acusados, que não convenceu nem a Corregedoria da PM nem a Polícia Civil. “Eles pararam ali porque um dos policiais teve cãibra na perna. Ele já tinha um histórico de problemas musculares, foi até afastado de cursos da PM. Sustentei isso e os jurados aceitaram”, disse Vendramini.

A matança no suposto tiroteio aconteceu depois que uma denúncia anônima apontou que, no lava-rápido, lideranças da facção planejavam o resgate de um preso no Centro de Detenção Provisória do Belém. Nenhum policial ficou ferido.

O promotor de Justiça responsável pelo caso, Estefano Kvastk Kummer, não quis comentar a decisão dos jurados. O Ministério Público informou que ele recorreu da decisão. Segundo a PM, os policiais serão integrados às tarefas administrativas até a conclusão do procedimento interno.

(Com Estadão Conteúdo)

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