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Jovem paulistano aposta nas roupas ecologicamente corretas

Estagiário de uma badalada grife nacional, Alexandre Soto cria os figurinos da cantora Ludmilla e quer tirar da moda a pecha de vilã da sustentabilidade

Por João Batista Jr. Atualizado em 3 jan 2020, 07h00 - Publicado em 3 jan 2020, 06h00
CORTE E COSTURA - O estilista: talento descoberto ao fazer roupas de bonecas
CORTE E COSTURA - O estilista: talento descoberto ao fazer roupas de bonecas ./.

Se a única certeza em relação à moda das próximas décadas é que ela terá de ser produzida com mínimo impacto ambiental, o paulistano Alexandre Soto já pode ser considerado um estilista de futuro. Acompanhe. A indústria da moda responde por 10% das emissões globais de gases do efeito estufa — supera a aviação e o transporte marítimo juntos. Ela é também o setor da economia que mais consome água e libera nos mares, anualmente, inacreditáveis 500 000 toneladas de microfibras sintéticas. Soto quer, claro, que suas roupas transmitam glamour, despojamento — mas, acima de tudo, que sejam ecologicamente corretas. Não há dúvida: ele está no caminho certo.

O rapaz iniciou o curso de moda da Faculdade Santa Marcelina, um dos mais prestigiosos do país, em 2018. No sexto mês, já conseguiu um estágio na grife Ellus. Destacou-se tanto que logo se tornou integrante do time encarregado dos figurinos de shows de cantoras como Ludmilla e Lorena Simpson. “O Alê é comprometido e tem ótimas ideias”, elogia Rodrigo Pollack, stylist de Ludmilla. “No passado, muita gente entrava na faculdade de moda pensando em ter marca própria e vender muito. Hoje, as pessoas não querem mais consumir algo sem sentido nem encher o guarda-roupa de inutilidades. A moda consciente veio para ficar”, aposta Soto.

O estilista aprendeu a arte de corte e costura fazendo roupas para bonecas. Quando criança, empunhava a tesoura para dar forma à indumentária de suas Barbies. Seu primeiro contato com a máquina de costura se deu por meio da avó paterna. O fascínio pelas vestimentas não deixava dúvida quanto à sua vocação. “Na hora de me inscrever para o vestibular, não quis saber de segunda opção. Para mim, era moda ­— e ponto”, lembra ele.

Suas peças têm uma linguagem algo noturna, o que não significa que sejam soturnas. Ao contrário, transmitem o espírito da juventude atual. “Adoro festas de música eletrônica e sou fã de K-pop, tanto que aprendi um pouco de coreano”, conta ele. Muitas das roupas que Soto usa levam a sua assinatura — como a camisa de chiffon de seda da foto acima. Naturalmente, “elas têm quase zero impacto ambiental”, garante o moço, que completa: “E são lindas”.

Publicado em VEJA de 8 de janeiro de 2020, edição nº 2668

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