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Irã condena advogado defensor dos direitos humanos

O advogado iraniano Mohammad Ali Dadjah, com uma longa trajetória na defesa dos direitos humanos, foi condenado a nove anos de prisão por atentar “contra a segurança nacional”, informou o réu à AFP.

“São nove anos de prisão, 10 anos de proibição de exercer a advocacia e de ensinar na universidade e uma pena de chicotadas transformada em uma multa de 25 milhões de rials (1.500 dólares) por ‘atentar contra a segurança nacional’ e pertencer ao círculo dos defensores dos direitos humanos”, disse Dadjah à AFP.

Muitos advogados que pertencem a esta associação fundada pela Prêmio Nobel da Paz Shirin Ebadi foram condenados a importantes penas de prisão nos últimos anos, acusados de “atentar contra a segurança nacional” e fazer “propaganda contra o regime islâmico”.

A Anistia Internacional pediu às autoridades que anulem imediatamente a sentença.

“O único crime de Dadjah é ter defendido os direitos dos demais. Jamais deveria ter sido julgado”, afirma um comunicado da organização.

Dadjah, que defende sobretudo o histórico líder da oposição liberal Ebrahim Yazdi, de 80 anos e condenado a oito anos de prisão em 2011, e o pastor Yussef Nadarjani, que pode ser condenado por apostasia, explicou que tomou conhecimento por acaso, em 28 de abril, que a sentença pronunciada contra ele em julho de 2011 havia sido confirmada no julgamento da apelação.

“Tinha que trabalhar naquele dia, mas o juiz me impediu de tomar a palavra em um julgamento ao afirmar que isto não seria possível porque minha pena havia sido confirmada”, explicou o advogado, que ainda aguarda a notificação oficial.

Dadjah pretende lutar para tentar anular a sentença e reiterou que não deixará o Irã para evitar a prisão.