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Internautas postam fotos que mostram cadeira desativada

Junto com depoimentos de quem esteve no parque, imagens indicam que a cadeira não tinha trava extra e estava inoperante há pelo menos sete anos

Fotos que começaram a circular pelas redes sociais junto com depoimentos de internautas que já brincaram na atração La Tour Eiffel indicam que a cadeira da qual caiu a estudante Gabriella Yukari Nichimura, de 14 anos, estava desativada há pelo menos sete anos. A primeira imagem foi postada no Facebook na quinta-feira pela professora de espanhol Aiga Nóbrega. Em menos de 24 horas, a foto foi compatilhada por mais de 45.000 pessoas.

“Meu objetivo era que a imagem chegasse até a mãe da Gabriella para ajudar nas investigações do acidente”, disse Aiga. “Ela teve acesso a foto em apenas três horas e depois me adicionou no Facebook. Mas ainda não tivemos oportunidade de conversar”.

Aiga, que é carioca, estava de férias em São Paulo quando visitou o Hopi Hari, em Vinhedo, com o marido e o irmão de 17 anos. Segundo ela, a foto foi feita em 19 de janeiro de 2012. Os três se sentaram nas cadeiras do setor 3, o mesmo que Gabriela, os pais e uma prima.

“Ficamos mais ou menos 40 minutos na fila”, contou. “Percebemos que ninguém sentava naquela cadeira, mas não havia nenhum tipo de aviso informando que ela não deveria ser usada, nem instruções por parte dos funcionários”. Aiga disse ainda que eles não usaram a cadeira porque perceberam que faltava a trava extra de segurança. “Mas alguém que estivesse mais eufórico ou distraído poderia não notar a ausência da trava”, acredita.

Em 2005, foto mostra brinquedo já com a cadeira do acidente desativada, porém sem sinalização Em 2005, foto mostra brinquedo já com a cadeira do acidente desativada, porém sem sinalização

Em 2005, foto mostra brinquedo já com a cadeira do acidente desativada, porém sem sinalização (/)

O analista de SEO Adriano Ramos tem uma foto de 2005 em que também aparece no setor 3 do La Tour Eiffel. “Já fui naquele brinquedo umas quatro vezes, em ocasiões diferentes, e nunca vi nenhum aviso na cadeira desativada”, garantiu Adriano.

Mesmo com um intervalo de tempo de sete anos entre um caso e outro, tanto Aiga quanto Adriano relatam o mesmo procedimento adotado pelos funcionários que cuidam do brinquedo. “As pessoas entram correndo querendo pegar os lugares, sentam e elas mesmas fecham as travas. Depois passa um funcionário dando um leve toque para verificar se a trava está fechada”, disse Aiga. “Ninguém sentava na cadeira porque ela ficava com a trava abaixada. Mesmo assim acho que faltava uma sinalização mais clara”, afirmou Adriano.

Depois do acidente, nem Adriano nem Aiga pretendem voltar ao parque. “Fiquei realmente chocada”, disse a professora. “Poderia ter acontecido com qualquer um de nós”. A velocidade com que a foto circulou pela internet também surpreendeu a professora. “Postei a foto às 15 horas de quinta-feira e, em 24 horas, ela havia sido compartilhada 45.000 vezes. Isso mostra que o caso sensibilizou muita gente, que se dispôs a fazer a foto chegar até a mãe da menina”.

Vistoria – O acidente que causou a morte de Gabriella aconteceu no último dia 24. A partir desta sexta-feira, o Hopi Hari ficará fechado pelos próximos dez dias por determinação do Ministério Público (MP) para a realização de uma vistoria em todas as atrações do parque.

A medida faz parte de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado nesta quinta-feira entre a direção do Hopi Hari e a Promotoria de Justiça dos Direitos do Consumidor do MP. A multa para o parque em caso de descumprimento da medida é de 95 000 reais. O prazo de fechamento poderá ser prorrogado.

Participarão da vistoria integrantes do Conselho Regional de Engenharia de São Paulo, do Instituto de Criminalística, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo e do Corpo de Bombeiros. O delegado Álvaro Santucci Noventa Júnior, responsável pelas investigações, também estará no local. Outro ponto do TAC determina que a atração La Tour Eiffel permaneça fechada por tempo indeterminado até que o parque apresente ao MP um plano de incremento de segurança do brinquedo.