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Impasse na programação de Obama no Cristo Redentor

Como ida ao Corcovado não faz parte da agenda oficial, assessores do presidente querem evitar celebração católica - Barack e família são protestantes

Por Cecília Ritto 16 mar 2011, 19h40

A única certeza até o momento é o fechamento da meia-noite de sábado até as 11h de domingo – o que será inevitavelmente um transtorno para turistas e um prejuízo para a receita do Corcovado

O Cristo Redentor não precisa de propaganda. Mas ter no monumento um líder com a expressão de Barack Obama criou grande expectativa entre os gestores do santuário. Para a visita do presidente norte-americano, o acesso ao Corcovado será fechado na manhã de domingo – afinal, Obama é Obama. A alegria com a visita é grande, mas, para a Arquidiocese do Rio, poderia ser maior.

A passagem pelo Redentor não é tratada como um compromisso de governo, mas uma vontade particular do presidente em conhecer o monumento com a mulher e as filhas. Ou seja, Obama vai ao Cristo para um passeio turístico, o que criou um impasse para o cerimonial no Brasil.

A questão religiosa tem sido a maior dor de cabeça para quem está à frente dessa visita. É praxe o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, ir ao Corcovado recepcionar as autoridades interessadas em conhecer o local. O protocolo será mantido com Obama, mas ainda não se sabe qual procedimento será adotado pela Igreja católica, uma vez que o presidente norte-americano não é católico, mas protestante.

O resultado prático dessa pequena diferença é que a comitiva pode optar por não participar de uma celebração religiosa de um credo diferente do de Obama e família. A dúvida dá trabalho à Cúria, que ainda não conseguiu fechar a programação para a recepção de domingo.

Pelo lado da equipe do presidente, a posição é a seguinte: Obama vai ao Cristo Redentor para uma visita, sem qualquer intenção religiosa. A existência de uma administração católica, com um santuário instalado no local, cria uma saia justa para os organizadores da visita. O Corcovado é tido como um santuário, não somente como um monumento, como o Coliseu ou a Torre Eiffel.

A única certeza até o momento é o fechamento da meia-noite de sábado até as 11h de domingo – o que será inevitavelmente um transtorno para turistas e um prejuízo para a receita do Corcovado. Em dias sem a visita do presidente dos EUA, o trem que leva ao Cristo abre às 8h e às 8h30 começam as filas. O veículo sobe a cada 20 minutos com 115 pessoas – no domingo, dia de maior movimento, faz o trajeto lotado. Isso significa um prejuízo de 37.260 reais. Ou, na língua de Obama, 22.445 dólares.

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