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Hotel histórico e quadra de futebol improvisada: a vida de R10 no Paraguai

Promotoria mantém Ronaldinho e seu irmão presos sob a acusação de uso de documento falso

Por Eduardo Gonçalves - Atualizado em 24 jul 2020, 10h01 - Publicado em 23 jul 2020, 14h05

O “rolê aleatório” de Ronaldinho Gaúcho no Paraguai está durando mais do que ele imaginava. Abrigados na suíte presidencial do hotel Palmaroga – uma espécie de “fortaleza” construída há 119 anos no centro histório de Assunção -, ele e o irmão e empresário, Roberto Assis, estão presos em regime domiciliar desde o início de abril.

O hotel, que já sediou a prefeitura de Assunção e o Palácio da Justiça, foi fechado exclusivamente para Ronaldinho e Assis, e conta com estrutura de piscina, academia e bar rooftop. Sem quadra de futebol, uma sala foi improvisada para o ex-jogador dar embaixadinhas e treinar com bola. Não se sabe até quando vai durar essa mordomia, já que o estabelecimento abriu reservas para hóspedes a partir do dia 24 de agosto. A suíte premium custa em torno de 350 dólares por dia, mas isso é uma pechincha se comparada à fiança que a dupla pagou para sair da cadeia – 1,6 milhão de dólares.

Se os irmãos levam uma vida relativamente tranquila no hotel, a batalha na Justiça paraguaia está dura – no último dia 11, a dupla teve mais um pedido de soltura negado. Apesar das suspeitas iniciais de esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o que a promotoria têm de mais concreto até agora é apenas o uso de passaporte falso. Ronaldinho e Assis alegam que foram pegos de surpresa com o documento irregular, mas a promotoria insiste que eles sabiam da ilegalidade.

Também não ajuda a situação dos irmãos o sumiço da empresária paraguaia Dalia López, responsável por trazê-los ao Paraguai a pretexto de um evento beneficente. Ela continua foragida desde março. Há especulação no meio de jurídico de que manter a dupla presa seria uma forma de pressioná-la a se entregar. Para complicar ainda mais o caso, a pandemia de Covid-19 gerou mais morosidade ao funcionamento dos tribunais no Paraguai. O país tem adotado medidas mais restritivas de isolamento do que o Brasil.

Em junho, um morador da região filmou Ronaldinho na varanda do hotel, que acenou de volta com o tradicional gesto de “hang loose”.

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Enquanto continua preso, o ex-craque de futebol continua sendo tema constante dos debates esportivos ao redor do mundo. Nos últimos meses, a imprensa argentina publicou que Maradona queria levá-lo de volta aos gramados para jogar pelo Gimnasia Esgrima, time do qual é treinador. O ex-presidente do Barcelona, Sandro Rossell, encheu o ex-jogador de elogios, dizendo que ele foi “igual ou melhor” do que Lionel Messi.

Nesse meio tempo, Ronaldinho concedeu apenas duas entrevistas – uma para o jornal paraguaio ABC Color e outra para jornal espanhol Mundo Deportivo. Na primeira delas, afirmou que a experiência tem sido “dura” e que nunca imaginou que “fosse passar por uma situação assim”.

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