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Homenagem a Alencar une governo e oposição em SP

Ex-vice ganha medalha; Dilma, Lula, Alckmin e Kassab comparecem

José Alencar: “Se eu morrer agora, é um privilégio. Se eu morrer agora, ‘tá’ bom demais. Eu não posso me queixar, mas eu estou lutando para não morrer. E estamos vencendo”

Só mesmo uma homenagem a José Alencar para unir, em São Paulo, governo e oposição em clima de cordialidade e gentilezas. O ex-vice-presidente recebeu, no início da tarde desta terça-feira, a Medalha 25 de Janeiro das mãos da presidente Dilma Rousseff (PT), em um palco montado na sede da prefeitura, comandada pelo democrata Gilberto Kassab. O discurso de homenagem a Alencar foi proferido pelo tucano Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.

Dilma também falou sobre o ex-colega de governo. “Ele foi um grande vice, de um grande presidente.” Com exceção das declarações sobre as chuvas que castigaram a região serrana no Rio, essa foi a primeira fala pública da presidente desde a posse. Dilma não surpreendeu: adotou o conhecido estilo objetivo de sempre. Sem improvisos, leu o discurso, de cerca de dez minutos e repleto de referências ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De gravata verde, amarela e azul, Lula foi à cerimônia, mas não teve direito à palavra.

Não houve discurso, no entanto, como o de José Alencar, internado em um hospital de São Paulo para tratar complicações de um câncer no abdômen. “Se eu morrer agora, é um privilégio. Se eu morrer agora, ‘tá’ bom demais. Eu não posso me queixar, mas eu estou lutando para não morrer. E estamos vencendo”, disse. “Ainda não estou bem. Estou bem melhor, mas ainda não estou bem.”

Discursos e vestidos – Ele se desculpou duas vezes por fazer o pronunciamento sentado em uma cadeira de rodas. “O longo tempo acamado me deixou assim. Sempre recomendei que falássemos de pé, para não perder a eleição”, disse, arrancando risos de Dilma e da plateia. “Lula me lembrou agora: os discursos devem ser como os vestidos das mulheres. Nem tão curtos que nos escandalizem, nem tão longos que nos entristeçam.”

Com um medalhão dourado pendurado no pescoço – a Medalha 25 de Janeiro -, Alencar relembrou momentos de sua luta contra o câncer, como o infarto que sofreu no fim do ano passado. Disse ter chorado ao saber que Dilma e Lula participariam da homenagem. “Quando fiquei sabendo da vinda deles, eu chorei de emoção. Não é possível eles virem de lá para me ver. Então, eu tinha que vir também.”

Alckmin mostrou esperança na recuperação de Alencar e conseguiu arrancar um sorriso do ex-vice, que tinha o semblante abatido. “Se Deus quiser, logo logo, vamos poder tomar um gole daquela boa, a Maria da Cruz, a Sagarana ou a Porto Estrela. São tantas as ótimas cachaças”, disse brincando com a origem mineira de Alencar.

Kassab lembrou um exemplo da dedicação do ex-vice-presidente à cidade de São Paulo. Contou que Alencar estava no exercício da Presidência e internado para exames em um hospital da capital. Choveu e um córrego transbordou. Alencar telefonou para o prefeito e pediu que ele fosse vê-lo. “Ele disse que havia pedido ao ministro das Cidades para vir a São Paulo dar recursos e resolver o problema desse córrego”, contou Kassab.

Gentilezas – Dilma, Alckmin e Kassab deixaram clara a disposição de governarem de forma integrada e abusaram de cortejos mútuos. “Eu queria dizer ao governador Alckmin que nós estamos prontos para continuar a parceria entre governo federal e o governo do Estado. Queria dizer ao Kassab que iremos juntos continuar esse processo de investimentos aqui”, disse a presidente.

Alckmin manteve a sintonia: “Queria dizer da alegria de recebê-la aqui em são Paulo, desejando um ótimo governo e que conte com são Paulo para o desenvolvimento brasileiro.” E foi acompanhado por Kassab. “Conte com a cidade de São Paulo para que possamos ajudá-la a corresponder às expectativas que todos os brasileiros têm em relação ao seu governo.”