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Gurgel afirma que Dirceu era o ‘líder do grupo’

Por Da Redação
3 ago 2012, 15h45

Por Ricardo Brito e Eduardo Bresciani

Brasília – O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta sexta-feira que o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu era o “líder do grupo” que comandava a compra de votos no Congresso, esquema batizado de mensalão. No segundo dia de julgamento do processo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Gurgel disse que Dirceu estimulou e comandou todo o esquema ilícito com o objetivo de sustentar o projeto do PT de se perpetuar no poder.

“Foi a principal figura de tudo. Foi o mentor de tudo”, disse. O chefe do Ministério Público disse ainda que a articulação política faz parte das atribuições da Casa Civil, pasta chefiada por Dirceu desde o início do governo Lula, em 2003. “Essa base de apoio não poderia ser formada mediante o pagamento de vantagens indevidas”, ressalvou.

Gurgel apoiou toda a sua acusação contra Dirceu com base em testemunhos. Segundo ele, essa é a única forma para demonstrar o envolvimento de lideranças. “Não há como negar que, em regra, o autor intelectual agiu em quatro paredes”, disse. “O autor intelectual quase sempre não fala ao telefone, não envia mensagens telefônicas, não movimenta dinheiro.”

O procurador-geral citou depoimentos prestados pelo publicitário Marcos Valério; o presidente do PTB, Roberto Jefferson; o ex-tesoureiro petebista Emerson Palmieri; o ex-presidente do extinto PL Valdemar Costa Neto; e o ex-presidente do PP Pedro Corrêa.

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Mesmo ocupando o cargo de ministro da Casa Civil, todos os acordos políticos e acertos financeiros passavam pelo aval de Dirceu. “Nada, absolutamente nada, acontecia sem a prévia autorização de José Dirceu”, afirmou Gurgel, que apresenta sua acusação contra os 38 réus no processo do mensalão no STF nesta tarde.

Empréstimos

Gurgel citou reuniões de Dirceu para afirmar que o ex-ministro atuou na obtenção dos empréstimos dos bancos Rural e BMG, que serviram para a operação do mensalão.

Em relação ao financiamento, o procurador destacou ter sido Dirceu que enviou os publicitários Marcos Valério e Rogério Tolentino a Portugal para negociar a obtenção de recursos com Miguel Horta, presidente da Portugal Telecom e acionista do Banco Espírito Santo. Posteriormente, Horta foi recebido por Dirceu na Casa Civil e Valério estava novamente presente.

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“Não é crível que o presidente do Banco Espírito Santo precisasse do Marcos Valério para tratar de investimentos no litoral da Bahia. Essa reunião foi uma continuação do encontro em Portugal que aconteceu a mando de Dirceu, por isso era necessária a presença de Marcos Valério”, disse Gurgel.

O procurador destacou ainda reunião de Dirceu com dirigentes do BMG em 2003 apenas três dias após a celebração de um dos empréstimos que sustentou financeiramente o esquema. Usou ainda um depoimento colhido pela CPI dos Correios em 2005, na qual a mulher de Marcos Valério, Renilda Santiago, diz ter ouvido do marido que Dirceu sabia das operações financeiras.

Gurgel destacou também reuniões de Dirceu com dirigentes do Banco Rural, como a ex-presidente Kátia Rabello. O Rural queria a ajuda do ministro no processo de liquidação do banco Mercantil. Kátia confirmou que foi Marcos Valério quem marcou os encontros e reconheceu que os empréstimos poderiam ter ajudado a conseguir os encontros, segundo as palavras do procurador.

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