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Governo insulta memória de vítimas da Covid-19, dizem secretários de saúde

Comunicado emitido pelo Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde repudia posição do governo de rever números de mortos

Por Redação - Atualizado em 6 jun 2020, 16h37 - Publicado em 6 jun 2020, 16h14

O Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass) divulgou neste sábado 6 uma nota de repúdio contra as afirmações de Carlos Wizard, do Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Segundo Wizard, os Secretários de Saúde falsificam dados de mortes causadas pela Covid-19. “Ao afirmar que Secretários de Saúde falseiam dados sobre óbitos decorrentes da Covid-19 em busca de mais ‘orçamento’, o secretário, além de revelar sua profunda ignorância sobre o tema, insulta a memória de todas aquelas vítimas indefesas desta terrível pandemia e suas famílias”, diz o texto.

O comunicado ainda faz referência ao novo posicionamento do governo de Jair Bolsonaro, que deixou de divulgar dados oficiais e vai rever como são contabilizados os óbitos atribuídos ao coronavírus. “A tentativa autoritária, insensível, desumana e antiética de dar invisibilidade aos mortos pela Covid-19, não prosperará. Nós e a sociedade brasileira não os esqueceremos e tampouco a tragédia que se abate sobre a nação.”

Segundo o conselho, a ação do governo ofende não só os Secretários no combate à pandemia, mas também os profissionais de saúde. “Wizard menospreza  a inteligência de todos os brasileiros, que num momento de tanto sofrimento e dor, veem seus entes queridos mortos tratados como ‘mercadoria’. Sua declaração grosseira, falaciosa, desprovida de qualquer senso ético, de humanidade e de respeito, merece nosso profundo desprezo, repúdio e asco. Não somos mercadores da morte. A vida é nosso valor maior, com ela não se negocia, relativiza ou transige”, diz o texto, que finaliza afirmando que o povo brasileiro é “resiliente”.

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