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Governo e centrais não fecham acordo sobre mínimo

No primeiro encontro, Gilberto Carvalho endurece na defesa do valor de 545 reais para o salário

Por Luciana Marques - 26 jan 2011, 19h35

A primeira reunião entre centrais sindicais e representantes do governo no Palácio do Planalto terminou sem acordo sobre o valor do salário mínimo. Nenhum dos seis sindicatos presentes abriu mão do valor de 580 reais e o governo não apresentou nenhuma proposta de negociação para aumento acima do já anunciado, de 545 reais. Apesar de a presidente Dilma sinalizar que aceitaria a quantia de 550 reais, o valor não foi citado pelos presentes.

Segundo o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, “o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, foi claríssimo e duro: a quantia é de 545 reais”. Ainda de acordo com o sindicalista, o ministro tentou empurrar a discussão sobre o valor para o Congresso Nacional.

Carvalho admitiu que a negociação só será finalizada no Legislativo, apesar das conversas com as centrais. “Entendemos que a posição que o governo sustenta é a mais responsável, mas é evidente que o Congresso é soberano. Mas não há discussão sobre veto, achamos que o Congresso será sensível à proposta do governo”, afirmou.

O presidente da Forca Sindical, o deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT), ponderou que o governo está preocupado com desgastes logo início do mandato da presidente Dilma Rousseff: “Eles estão com pressa de resolver porque está havendo desgaste”.

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Apesar das divergências, as centrais reconheceram que a política de salário mínimo, baseada no PIB de dois anos anteriores e na inflação do ano anterior deve ser mantida. Os sindicalistas reivindicam, contudo, uma mudança no cálculo somente para 2011 por causa da crise financeira de 2009. “Esperamos que as centrais reflitam e reconheçam que é melhor para o trabalhador essa política segura e continuada de valorização do salário mínimo. Não cometeremos irregularidades, sabemos que ano que vem o salário mínimo causará um grande impacto para a economia, mas honraremos”, afirmou Gilberto Carvalho.

No encontro, não foi abordada a vinculação do valor do salário mínimo ao reajuste da tabela do Imposto de Renda (IR). Preocupado com o aumento das despesas, o governo cogitou negociar o reajuste da tabela do IR em 6,46% em troca de um aumento ainda maior do mínimo. Como as centrais já haviam rejeitado a proposta, o assunto não foi discutido na reunião desta quarta-feira.

Carvalho negou, no entanto, o uso do reajuste do IR para negociação do valor do mínimo. “Não queremos fazer processo de toma lá dá cá, não existe essa hipótese. Fazemos questão de demarcar que são temas diferentes”, disse o ministro. O governo marcou uma reunião para o próximo dia 2 de fevereiro para discutir as alterações na alíquota do IR com as centrais. Segundo o ministro, ainda não há índices para redução previstos. Ele admitiu, no entanto, uma tendência de reajuste em torno de 4,5%.

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi; e o ministro interino da Fazenda, Nelson Barbosa, também participaram do encontro. Os representantes das centrais deixaram o Planalto com a promessa de que a presidente Dilma Rousseff os receberá nas próximas semanas. O ministro Gilberto Carvalho negou que a presidente terá uma postura mais rigorosa com os sindicalistas em relação ao governo anterior. “É a mesma sensibilidade, é a mesma proposta”, defendeu.

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