Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Governador do Rio anuncia resposta aos arrastões, mas polícia ainda não conhece origem dos ataques

Bandidos voltam a incendiar carros na zona norte. Para Sérgio Cabral, ações seriam tentativa de intimidação e reação à expansão das UPPs

Os incêndios são nitidamente uma provocação à polícia. Para o cidadão, a notícia ruim é que não se pode antever – e, por enquanto, nem evitar – um recrudescimento desse tipo de ação

As autoridades de segurança pública do estado do Rio – e o próprio governador – começaram, enfim, a tratar os ataques em série a motoristas e os incêndios de veículos em via pública como uma ação organizada dos criminosos. Nesta segunda-feira, depois dos arrastões seguidos de incêndio ocorridos pela manhã e no fim de semana, o governador Sérgio Cabral afirmou acreditar que as ações sejam uma reação das quadrilhas à perda de território imposta pelas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). “É Claro que isso tem a ver com a reorganização do território que reconquistamos com as UPPs. Vamos continuar pacificando porque ainda tem comunidades que servem de fortaleza para os criminosos”, disse Cabral. De acordo com o governador, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, está planejando, com a cúpula das polícias civil e militar, uma “reação organizada” para conter a onda de ataques. Entre as medidas, estão o aumento no número de blitez em toda a região metropolitana e o uso de motocicletas para chegar mais rápido aos locais dos assaltos.

As providências são necessárias, mas evidenciam também que o estado não identificou com clareza a origem dos ataques com característica de terrorismo de bandidos, tampouco foi capaz de apresentar à população uma explicação plausível para o aumento repentino dos roubos de veículos em sequência – agravados, recentemente, com a prática de atear fogo aos automóveis. Até então, o estado evitava tratar os ataques como ação coordenada – o secretário José Mariano Beltrame chegou a afirmar que a questão era de “nomenclatur”, tentando diferenciar assaltos de arrastões.

Os incêndios – que fazem os bandidos gastar mais tempo e, aparentemente, não trazem ganho para os criminosos – são nitidamente uma provocação à polícia. Para o cidadão, a notícia ruim é que não se pode antever – e, por enquanto, nem evitar – um recrudescimento desse tipo de ‘propaganda’ violenta. Uma onda de ataques organizados por bandidos terminou com uma série de mortes de policiais em dezembro de 2006 – o que, mais tarde, ficou caracterizado por uma reação de traficantes às operações em favelas da capital.

Ataques – O domingo teve pelo menos cinco ataques com características de arrastão. No primeiro deles, ocorrido na Baixada Fluminense, o eletricista Paulo César Alves, de 41 anos, morreu com um tiro de fuzil que atingiu seu tórax. Paulo estava com a mulher e a filha de 5 anos quando foi abordado por bandidos na rodovia BR-116 (Rio-Magé). Os bandidos, que estavam em um Celta, fugiram em seguida, sem nada roubar.

Outros dois arrastões ocorreram na zona norte da capital: um deles na Pavuna, onde um rapaz levou um tiro de raspão na cabeça, e, na Linha Vermelha – via expressa que liga o centro à Ilha do Governador e a rodovias que ligam a cidade à região serrana e a São Paulo. Três veículos foram incendiados – e um veículo da Aeronáutica foi atingido por tiros – mais um sinal claro de intimidação.

No fim da noite, a ameaça passou perto do governador do estado: uma família teve os pertences roubados na Rua Presidente Carlos de Campos – vizinha ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado. O crime estaria ligado a outro roubo, ocorrido cerca de meia hora depois, em que homens fecharam a Rua Bogari, na Lagoa, e saquearam os ocupantes de um carro.

As ações dos criminosos continuaram na manhã de segunda-feira: pela manhã, bandidos armados renderam e assaltaram pelo menos três motoristas na rua Itapera, em Irajá, na região metropolitana. Após o assalto, os ladrões incendiaram três carros. O arrastão ocorreu próximo ao Trevo das Margaridas e à avenida Brasil. Também no bairro de Irajá, uma cabine da Polícia Militar foi atacada a tiros.