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Governador de Mato Grosso é detido por posse ilegal de arma

PF encontrou pistola com registro vencido na casa do governador, que foi vasculhada durante operação de combate a lavagem de dinheiro

Atualizado às 23h28

O governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB), foi detido na sede da Polícia Federal no Estado nesta terça-feira por posse irregular de arma de fogo. Uma pistola calibre 380 foi apreendida pela PF na casa do governador, um apartamento no Jardim das Américas, em Cuiabá.

A arma foi encontrada durante buscas da Polícia Federal no âmbito da Operação Ararath, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e crimes financeiros em Mato Grosso. O apartamento do governador foi um dos locais vasculhados pelos agentes, embora a prisão dele não tenha relação com o inquérito.

Segundo o secretário de Comunicação do governo, Marcos Lemos, Silval tem porte de arma, mas o registro estava vencido. Como a pena para esse crime é inferior a quatro anos de detenção, foi estipulado pagamento de fiança de 100.000 reais e ele responderá em liberdade.

“O governador não foi ouvido com relação à investigação. O Supremo Tribunal Federal é quem pode nos dar cópias para analisar, não sabemos o que consta”, disse Ulisses Rabaneda, advogado do governador. “O governador está muito tranquilo.”

O esquema investigado pela PF envolve empresários da construção civil, do ramo de combustíveis e agentes políticos. Cerca de 500 milhões de reais teriam sido movimentados por operações financeiras de venda de crédito, cheques e duplicatas por meio dr empresas de factoring. A nova fase da investigação, que corre na 5ª Vara Federal do Estado, foi deflagrada após o empresário Gércio Mendonça Júnior, dono da rede de postos Amazônia Petróleo e da Globo Fomento Mercantil, aceitar uma delação premiada ao Ministério Público Federal.

A PF cumpriu mandados no apartamento de Silval e na casa do prefeito de Cuiabá, Mauro Mendes (PSB). Também foram alvos as sedes da prefeitura, da Assembleia Legislativa, do Ministério Público do Estado e do Tribunal de Contas do Mato Grosso, além de empresas. A polícia prendeu o deputado estadual José Riva (PSD) e o ex-secretário estadual Eder de Moraes (PMDB), que comandou a Fazenda (governo Blairo Maggi), Casa Civil e Secretaria da Copa (na gestão Silval Barbosa).

Eder de Moraes e José Riva tiveram as prisões decretadas pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Eles foram levados a Brasília na noite desta terça. Os advogados dos detidos disseram que ainda esperam obter mais informações sobre o inquérito, que também envolveria o senador Blairo Maggi (PMDB-MT) – que possui foro privilegiado.

Além das prisões, a Justiça Federal informou que foram decretados 59 mandados de busca e apreensão contra investigados e empresas, trinta de condução coercitiva. Ao todo, a PF conduz dez inquéritos que compõem a Ararath.

O prefeito Mauro Mendes disse que as buscas da PF foram “desnecessárias”. Em nota, Mendes afirmou que os policiais apreenderam documentos sobre um empréstimo pessoal de 3,4 milhões de reais com a empresa Amazônia Petróleo, de Mendonça Junior. Segundo ele, a operação foi “normal e transparente”. A PF também apreendeu registros de um contrato emergencial da prefeitura com a mesma empresa para fornecimento de combustível para frotas do município, de ambulâncias a máquinas de obras. O prefeito disse que a contratação durou quatro meses e resultou em economia para o Tesouro municipal.