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Foragido por ataque ao Porta dos Fundos assume autoria do ato

"Uma blasfêmia sempre será infinitamente pior do que qualquer reação contra ela", justificou o empresário Eduardo Fauzi em entrevista a portal

Por Da Redação - Atualizado em 4 jan 2020, 12h05 - Publicado em 4 jan 2020, 12h03

O empresário Eduardo Fauzi, de 41 anos, apontado como responsável por orquestrar o ataque à sede da produtora Porta dos Fundos, no bairro do Humaitá, na Zona Sul do Rio de Janeiro, assumiu a autoria do atentado, ocorrido na véspera de Natal, neste sábado, 4. Em entrevista ao”Projeto Colabora”, Fauzi classificou o especial de fim de ano do canal como um “ato de profanação” e afirmou que “uma blasfêmia sempre será infinitamente pior do que qualquer reação contra ela”. Fauzi é procurado pela Polícia Civil do estado desde a terça-feira 31. Ele viajou para Moscou, capital da Rússia, e seu nome foi incluído no rol de procurados pela Interpol nesta quinta-feira 2. 

“Quando não há formas de responder aos ataques feitos à fé, e, sobre tudo, a Deus, além de nos depararmos com autoridades completamente inertes omissas ou até coniventes, que têm o poder de solucionar a questão e cessar a ofensa, mas não o fazem e se recusam a fazer, ou até mesmo defendem os atos criminosos e blasfemos, não resta outra forma do que responder com as próprias mãos”, justificou o ataque.

Segundo ele, não houve risco à integridade de um segurança que estava na produtora, porque, ainda de acordo com Fauzi, o homem “dormia protegido por uma porta de blindex”. “Dizer que o segurança passou por risco de vida é também uma acusação ridícula e exagerada que distorce completamente a verdade real. O atentado é pífio do ponto de vista militar – sem baixas ou danos – e foi pensado e perfeitamente executado para ser puramente simbólico e gerar reflexão na sociedade”, afirmou.

O empresário foi o único dos cinco suspeitos que não usava capuz na hora do ataque com coquetéis molotov à produtora do canal humorístico. Ele diz não temer ser preso. “Eu já fui preso antes e pude extrair algum aprendizado do evento”, disse ao portal, porém, ponderou que vai pedir asilo no país. 

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Em publicação nesta sexta-feira 3, VEJA destrinchou o perfil de Fauzi. Ao pesquisar a sua ficha criminal, a Polícia Civil constatou que Fauzi tem um histórico longo de hostilidades. São cerca de 20 registros por agressão, lesão corporal, desacato, extorsão e por crimes previstos na Lei Maria da Penha. Os investigadores suspeitam que ele comandava com mãos de ferro uma rede de estacionamentos irregulares no centro do Rio, fazendo ameaças a adversários que disputavam com ele o controle de ruas e vagas. A sua família também é dona de postos de gasolina e atua na venda e compra de imóveis. Em entrevistas passadas, Fauzi se proclamava presidente de uma Associação de Guardadores de Veículos, representante de camelôs e ambulantes e um ex-militante de movimentos estudantis. Ele também aparece em um inquérito aberto em 2011 que apura a atuação de milícias que controlam estacionamentos ilegais no Rio.

O histórico de violência não para por aí. Ele já foi preso por socar o rosto de um secretário municipal do Rio e por envolvimento em atos de black blocs (mascarados ou encapuzados que praticam atos durante protestos) em 2013 – por este último episódio, chegou a receber a solidariedade da ativista Elisa Quadros, conhecida como Sininho, uma das líderes das manifestações daquele ano.

A polícia também descobriu que ele já teria se envolvido em brigas de bar na Rússia. Aliás, o país é um destino frequente de Fauzi – só no ano passado, ele foi três vezes para lá. Familiares confirmaram aos investigadores que ele tem uma namorada russa, com quem teve um filho. A polícia também encontrou em sua casa livros sobre o premiê Vladimir Putin e anotações em russo, que mostram que ele estava tentando aprender a língua. Além disso, foram encontrados cerca de 119.000 reais e 140 euros em espécie, simulacros de armas de foco e facas de artes marciais.

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