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‘Fomos pegos de surpresa’, diz secretário de Segurança de SC

Apesar dos ataques, que já duram três dias, terem criado clima de tensão, César Grubba diz que catarinenses estão seguros; estado recusou ajuda federal

Por Marcela Mattos 15 nov 2012, 16h05

“O exemplo do que aconteceu lá (em São Paulo) incentiva, a partir do momento em que os criminosos têm conhecimento. É uma gasolina.”

A onda de crimes em Santa Catarina chega ao terceiro dia com mais atentados, o último deles sob a luz do sol, quando um ônibus foi incendiado em Itajaí, no litoral do estado, na manhã desta quinta-feira. O secretário estadual de Segurança Pública de Santa Catarina, César Grubba, afirmou nesta sexta-feira ao site de VEJA que todas as forças policiais do estado estão empenhadas em combater os criminosos, que também têm atirado contra prédios oficiais.

Grubba reconhece que o governo foi pego de surpresa com a onda de criminalidade e, apesar dos ataques já terem alterado a rotina dos catarinenses, o secretário diz que a população está segura. Segundo ele, ainda não foi determinada a causa dos ataques, mas as investigações apontam que a ordem veio de dentro de presídios e, por enquanto, está descartada uma conexão com os ataques semelhantes ocorridos nos últimos meses em São Paulo e como o PCC. De momento, o estado descarta receber ajuda da Força Nacional.

Há alguma relação dos ataques em Santa Catarina com os registrados em São Paulo? A linha de investigação ainda não apontou para uma conexão com São Paulo. Mas acredito que o exemplo de São Paulo serve como incentivo. Quando os criminosos tomam conhecimento do que foi feito em outro lugar, ganham coragem para agir. É uma gasolina.

Em Santa Catarina, os policiais também estão com medo? Foram tomadas medidas extra de proteção. Entre 2011 e 2012 compramos 4.500 coletes, novas pistolas, outros armamentos, kits de proteção. Mas, para agora, é claro que algumas cautelas estão sendo adotadas pelos comandos das polícias Civil e Militar. Encaminhamos uma ordem de serviço com orientações de como proceder. Trata principalmente de questões de cautela, no momento em que o policial esta na rua, em deslocamento. Ele mostra uma série de situações para que se evite o ataque pessoal.

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Já foi identificado o motivo dos ataques? Há algumas linhas de investigação. Uma delas envolve o sistema prisional de Santa Catarina. Acreditamos que há criminosos que se organizam dentro dele, que encaminham as ordens para fora, por aqueles que saem em visita, que são permitidas pela Lei de Execuções Penais, ou por quem está em liberdade provisória ou condicional. Recebemos o reforço de uma equipe da Polícia Civil com três delegados, três escrivães e seis agentes que estão investigando os ataques. Também avaliamos o caso do diretor de penitenciária que teve a mulher assassinada, possíveis maus tratos a presos, são varias possibilidades. O próprio poder Judiciário está fazendo uma força tarefa na penitenciária de São Pedro de Alcântara para ouvir presos, fazer exames de corpo de delito para checar o caso de maus tratos. Na próxima semana já teremos resultado.

Qual o problema do sistema prisional no estado? Temos de ter presídios mais voltados ao laboral, para que o preso possa ser recuperado com atividades dentro do presídio, sem ferir sua dignidade. Mas temos sim um déficit de vagas. Estamos construindo novos presídios e novos centros de internação, mas isso demanda tempo.

Há pânico entre a população? Claro que, a partir do momento que tem ataque a ônibus, se queimam veículos, as pessoas ficam com medo. Não temos como negar. Mas as pessoas estão saindo às ruas. A polícia está empenhada. Houve reforço de viaturas 24 horas, principalmente no período noturno. Os ônibus estão circulando com escolta da PM. Houve reforço também com repetição de escala de plantão por parte da PM, dos delegados, e do ostensivo, principalmente na grande Florianópolis e em algumas cidades, como Blumenau e o Vale do Itajaí. Não vou negar que as pessoas ficam com medo, mas os serviços de segurança estão ativos.

Acha que o medo da população é exagerado? É desnecessário. Todas as forças estão empenhadas no combate a esse tipo de criminalidade, que não era comum em Santa Catarina. Nunca tivemos uma situação dessa. Também fomos pegos de surpresa.

E por que não aceitar a ajuda do Ministério da Justiça? Não vemos necessidade nesse exato momento. Claro que não recusamos nenhum tipo de ajuda. Além de todos os departamentos da Segurança Pública estão participando de reuniões a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e o Exército. Eles participam das reuniões, da troca de informações. Não vemos necessidade de usar outra força agora.

E quando outra força seria necessária? Não tem um momento certo. Se verificarmos que as coisas estão fora de controle.

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