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Ex-diretor da Petrobras é indiciado por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica

Paulo Roberto Costa ainda é investigado por evasão de divisas e corrupção. Esquema investigado pela PF movimentou pelo menos 10 bilhões de reais

Por Daniel Haidar, do Rio de Janeiro - 16 Apr 2014, 12h40

A Polícia Federal indiciou Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, pelos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa. Ele é suspeito de ter ocultado a origem de recursos ilícitos com a ajuda do doleiro Alberto Youssef, que foi indiciado por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, evasão de divisas, organização criminosa, falsa identidade em contrato de câmbio e por operar instituição de câmbio sem autorização. Outras 44 pessoas investigadas na operação Lava-Jato foram indiciadas na noite desta terça-feira, quando o delegado Márcio Adriano Anselmo entregou ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal relatórios sobre as investigações.

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Costa ainda pode ser indiciado posteriormente por corrupção passiva e evasão de divisas, porque policiais ainda analisam indícios de que ele recebeu propina por contratos fechados pela Petrobras com um clube de fornecedores. Também são rastreados recursos remetidos ilegalmente ao exterior pelo ex-diretor, com ajuda de Youssef. No começo das investigações, policiais descobriram que Youssef comprou um Land Rover Evoque blindado, avaliado em 300.000 reais, para que Costa utilizasse. Foi considerada uma tentativa de ocultar a origem do bem.

O esquema investigado na operação Lava-Jato movimentou pelo menos 10 bilhões de reais em operações de lavagem de dinheiro. O indiciamento dos suspeitos não implica necessariamente que sejam acusados pelos mesmos crimes na denúncia do Ministério Público à Justiça. Mas, juridicamente, esse ato sinaliza aos procuradores da república que os delegados acreditam ter fundamentos de que foram cometidos determinados crimes.

A Polícia Federal apresentou uma conclusão parcial do inquérito nesta terça-feira, porque os documentos precisavam estar com o Ministério Público até a noite desta quarta-feira, para que os procuradores tenham tempo de apresentar denúncias até a noite da próxima segunda-feira, 21 de abril. Esse prazo precisa ser cumprido, porque há 14 suspeitos presos preventivamente. Há ainda um preso temporariamente. Caso eles não sejam denunciados à Justiça até segunda-feira, a defesa teria amparo legal para solicitar a revogação de prisões.

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Diversos documentos, HDs, CDs, DVDs e pen-drives continuam sob análise na Polícia Federal. No caso de Youssef, a Polícia Federal destacou, em um dos relatórios, que ele utilizava 34 telefones. Por isso, ainda vão ser feitos cruzamento de dados para que os policiais tenham a dimensão dos contatos do doleiro. Todos os investigados podem ser acusados posteriormente por outros crimes.

Condenado no processo do mensalão por lavagem de dinheiro, Enivaldo Quadrado foi indiciado por lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica. Durante as investigações do caso, policiais constataram que Youssef era o verdadeiro dono da corretora Bônus-Banval, oficialmente registrada em nome de Quadrado.

A Operação Lava-Jato começou a ser deflagrada em 17 de março para desmontar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, capitaneado por quatro doleiros. Dois deles foram indiciados por financiamento ao tráfico de drogas, diante de indícios da ligação deles com traficantes. Paulo Roberto Costa teve de prestar depoimento neste dia, mas acabou preso em 20 de março, porque policiais flagraram familiares dele destruindo e ocultando provas. Na segunda etapa da operação, realizada em 11 de abril, a PF teve como alvo contrato de 443 milhões de reais da Ecoglobal. Há indícios de que o ex-diretor intermediou esse negócio. Foram apreendidas mais de 400 páginas de documentos na sede da estatal, no Rio.

Até o momento, foram cumpridos 105 mandados de busca e apreensão, dezenove de prisão preventiva, doze de prisão temporária e 27 conduções coercitivas. A Justiça Federal autorizou o sequestro de três hotéis e seis residências de alto padrão. Foram apreendidos 25 veículos com valores de mercado superior a R$ 100 mil cada. Aproximadamente 6 milhões de reais foram apreendidos em espécie, além de centenas de joias e várias obras de arte, que serão destinadas esta semana ao Museu Oscar Niemeyer para custódia.

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Quinze pessoas permanecem presas, sendo 14 em Curitiba e uma temporariamente em São Paulo. A Justiça Federal analisa a transferência de Youssef e do doleiro Carlos Habib Chater para a Penitenciária Federal de Catanduvas, considerada um presídio de segurança máxima. Dois suspeitos permanecem foragidos.

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