Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Estudante afirma que PMs ignoraram informação de que filho de Cissa Guimarães precisava de socorro

André Liberal, que viajava de carona no carro que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, depõe e compromete policiais militares acusados de extorsão

O estudante André Liberal, 20 anos, que viajava de carona no carro que atropelou e matou Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, afirmou nesta terça-feira que os dois policiais militares envolvidos no caso ignoraram a informação de que havia uma vítima ferida dentro do túnel. Liberal depôs, na condição de testemunha de defesa, na Auditoria Militar, em audiência presidida pela juíza Ana Paula Barros. Esta é a primeira vez que Liberal relata algum diálogo da noite do crime. À Polícia Civil, o jovem limitou-se a dizer que não ouviu ou participou de qualquer conversa entre o motorista do carro e os PMs.

A acusação acabou complicando ainda mais a situação dos policiais Marcelo Leal e Marcelo Bigon. O estudante foi intimado pelo advogado de Bigon, Claudenor de Brito. Segundo o jovem, os dois PMs chegaram a conferir detalhadamente as avarias no Siena preto de Rafael Bussamra, mas não deram importância ao aviso, supostamente feito pelos ocupantes do carro, de que uma vítima de atropelamento precisava de socorro.

A juíza Ana Paula Barros tentou remontar, na audiência, os fatos ocorridos na noite de 20 de julho, quando Rafael Mascarenhas foi atropelado andando de skate no Túnel Acústico, na Gávea, e na madrugada seguinte – período em que teria ocorrido a suposta negociação e pagamento de propina aos policiais, pelo empresário Roberto Bussamra, pai de Rafael.

Liberal voltou a dizer que permaneceu o tempo todo dentro do carro. Ele disse, no entanto, que percebeu que Roberto, Rafael e Guilherme Bussamra – o outro filho do empresário, que acompanhou o pai na noite do atropelamento – estavam calmos. “Só ouvi eles dizerem que contratariam um advogado”, disse, na audiência.

Durante o depoimento, André chegou a afirmar que sabia do pagamento de propina aos policiais, mas, em seguida, disse que ‘não tinha entendido’ a pergunta da juíza.

Após o depoimento de Liberal, foram ouvidos o tenente Fernandes e o soldado Sidcley, do batalhão do Leblon (23º BPM). Sidcley era o responsáveis pela supervisão do cabo Bigon e do sargento Leal na noite do crime. A juíza também tomou o depoimento do mecânico Walter Fonseca Filho, sócio do funileiro Paulo Sérgio Muglia, que fez o conserto no carro de Rafael Bussamra na manhã seguinte ao acidente.

Walter confirmou que o carro passou por reparos antes de ser levado para a 15ª DP (Gávea). O mecânico, no entanto, afirmou não poder dar detalhes do conserto, que, segundo ele, foi feito pelo sócio.

O irmão mais novo de Rafael Bussamra, Guilherme Bussamra, que também foi arrolado como testemunha pelo advogado de Marcelo Bigon, não foi ouvido. Morador da cidade de São Paulo, ele prestará depoimento através de carta precatória, o que deverá atrasar o processo na Justiça Militar.