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Esquema de fraudes também atingiu a rede hospitalar do estado

Segundo investigação da Polícia Federal, governador Pedro Paulo Dias, que está preso, teria contratado empresa sem especialização na área médica para fazer manutenção de equipamentos hospitalares

Por Da Redação - 18 set 2010, 14h41

Para realizar a manutenção dos equipamentos sucateados nos hospitais amapaenses, o então secretário estadual da Saúde, Pedro Paulo Dias (PP), que deixou o cargo este ano para ser governador, contratou por meio de licitação feita às pressas uma empresa sem especialização na área. O valor aproximado do contrato era de um milhão de reais por mês. Isso significa que a empresa recebia em um ano quase o dobro do orçamento anual de toda a Polícia Civil do estado, cujo valor é de R$ 6,2 milhões. Apesar do contrato milionário, os responsáveis pela manutenção dos hospitais não prestavam praticamente serviço algum, com consequências desastrosas para a saúde pública do Amapá.

Os detalhes sobre os supostos esquemas foram relatados à Polícia Federal pelo empresário Francinaldo da Rocha Cordeiro, proprietário da empresa Mega Hospitalar Eletrecidade, especializada em manutenção de equipamentos hospitalares, que não conseguiu participar das concorrências. De acordo com o empresário, o descaso na área da saúde permitia que sumissem equipamentos importantes de diversos hospitais, como ocorreu com uma mesa cirúrgica ortopédica e um mamógrafo do Hospital Geral de Macapá.

A principal empresa beneficiada pelo suposto esquema era a Mecon, de Francisco Odilon Filho, que além de fazer manutenção de maquinário em hospitais, tinha contrato para vender equipamentos hospitalares à Secretaria Estadual da Saúde. Odilon também é dono da Faculdade Fama e da Choperia da Lagoa. Segundo Cordeiro, Odilon tinha também uma empresa que fornecia alimentos aos presos do Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) e ao Hospital de Emergência. Comida muitas vezes “estragada”.

Na Polícia Federal, a testemunha afirmou que presenciou o dono da Mecon pagando propina a um diretor do Hospital Estadual de Santana chamado Mauro. Só pelo serviço prestado em hosptial, a Mecon ganhava R$ 200 mil ao mês. Apesar disso, de acordo com o depoente, os equipamentos de diversos hospitais estão parados por falta de manutenção. Mesmo diante dessa suposta improdutividade, Cordeiro afirma que a Mecon tinha prioridade na liberação de pagamentos da pasta.

(Com Agência Estado)

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