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Empresário morto no México usou drogas, diz russa ao site de VEJA

Ekaterina Vasileva é citada pelo brasileiro no áudio em que Dealberto pediu socorro a amigos. Ela diz tê-lo visto pela última vez na tarde de sábado

Uma noitada regada a drogas e álcool teria antecedido a morte trágica do empresário catarinense Dealberto Jorge Silva Júnior, de 35 anos, no México, na madrugada do último domingo. É o que narra Ekaterina Vasileva, de 35 anos, a “russa” a que Dealberto se refere no áudio no qual pede socorro a amigos por meio do Whatsapp, revelado pelo site de VEJA. Em mensagens trocadas com a reportagem, Ekaterina, que se apresenta como Katerina em seu perfil no Facebook, deu detalhes das horas que passou ao lado do brasileiro. Ela conta tê-lo visto por último na tarde de sábado – foi também quando amigos do rapaz contaram à família dele ter falado com Dealberto pela última vez. A russa disse havê-lo conhecido por meio de um amigo brasileiro em comum, que trabalha como DJ em grandes clubes noturnos. Ela afirmou não entender porque o catarinense disse estar se sentindo ameaçado por ela e relata ter prestado dois depoimentos à polícia local sobre a morte do brasileiro. Na troca de mensagens com o site de VEJA, ela enviou sua geolocalização para mostrar que ainda está em Playa del Carmen, no México, onde Dealberto morreu.

Na mensagem que enviou a amigos na sexta-feira, dia 9, Dealberto alega que seria sequestrado pela “amiga do Marchetti, a russa”. “Não tenho ideia do por que disso. Estava tudo bem até a hora em que fui embora”, afirma Ekaterina. Ela diz que conheceu o brasileiro e o irmão dele, Fernando, naquele mesmo dia, antevéspera da morte. O trio teria passado toda a tarde e a noite consumindo ecstasy e álcool numa festa de música eletrônica. A russa nega ter feito sexo com algum dos dois brasileiros e diz ainda que os irmãos estavam acompanhados dos amigos Rômulo Savignon e Marilia Pompeu Caputo. “Saímos a sexta-feira toda. Eu fui com Fernando a uma discoteca e Dealberto foi com Rômulo a outro lugar. Depois, fomos todos ao hotel onde estavam hospedados”, diz.

É justamente a partir do momento em que Ekaterina despediu-se do brasileiro que resta uma lacuna: onde e com quem ele teria estado das 15 horas de sábado até à 0h20 de domingo, quando foi achado morto. O roteiro é o mesmo narrado tanto por Ekaterina e quanto pelo advogado Juliano Girolla, primo dos irmãos, uma espécie de porta-voz da família.

Segundo as investigações policiais, Dealberto morreu ao cair acidentalmente da altura de cerca de 10 metros de um prédio residencial em Playa del Carmen. No local, ocorria uma festa privada – embora não se saiba até agora quem participava dela. O local fica nas cercanias do Hotel Reina Roja, onde ele estava hospedado. Inicialmente, amigos do catarinense no Brasil fizeram circular a informação de que ele caiu da dentro das dependências do próprio hotel. Segundo a Procuradoria Geral de Justiça do México, as investigações preliminares levam a crer que se trata de um acidente, mas todas as possibilidades serão levadas em conta até a conclusão da apuração. A polícia ainda ouve testemunhas e aguarda o resultado do exame toxicológico de Júnior para verificar se ele estava sob efeito de drogas.

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Ekaterina, que afirma trabalhar como hostess na casa noturna Cipriani, em Ibiza, na Espanha, diz acreditar que a sensação de perigo sentida por Dealberto – conforme o áudio enviado por amigos – tenha sido provocada por paranoia derivada do consumo de drogas. “Não sei quanto ecstasy eles tomaram. Comigo tomaram metade cada um e, depois de uma hora, outra metade. Eles tomaram vodka e eu, rum. O comprimido era de cor azul escura, diferente do ecstasy vendido na Europa”, conta. Ela afirma ter se encontrado com os dois irmãos, além de Savignon e Marilia, no Hotel Reina Roja, e todos seguiram para o clube noturno Blue Parrot. Em seguida, dividiram-se em outras festas e voltaram a se reunir no hotel durante a madrugada.

Em determinado momento, Ekaterina afirma ter ficado paranóica, achando que Marília estava desaparecida. Disse até a registrado queixa do sumiço na delegacia local. “Ela não atendia o telefone e eu fiquei preocupada porque na última vez que nos vimos ela estava com um cara estranho, que conheceu em uma pizzaria.” A hostess alega ter sofrido uma “bad trip” por causa da droga. “Acredito que Dealberto também teve. Fui embora pensando coisas ruins”, diz. Segundo o advogado Juliano Girolla, familiares conseguiram falar com o empresário após o envio da mensagem de áudio em que ele se sentia ameaçado e constataram que ele não estava em perigo. A família, por ora, prioriza esforços para trazer Fernando e o corpo de Dealberto de volta ao Brasil. “Fernando está muito abalado. Ele era muito próximo ao irmão, trabalhavam juntos na mesma empresa”, diz Girolla.

A russa conta que deixou os irmãos na rua, em frente ao hotel de outro amigo, próximo à praia de Caníbal, e foi para a delegacia registrar o desaparecimento de Marília. Ekaterina só voltou a ver o grupo na tarde de sábado. “Naquele dia, não sai, mas fiquei sabendo que eles foram a uma festa. Ainda é difícil acreditar que tudo isso aconteceu”. Nos últimos dois dias, ela conta ter dado dois depoimentos à polícia mexicana, mas reclama de não ter acesso às investigações. “Os policiais vieram duas vezes ao hotel onde estou. Na primeira, me disseram que estavam todos desaparecidos. Na segunda, que o grupo tinha ido ao hotel e sua estadia havia acabado. Ninguém diz o que realmente aconteceu.”

Ekaterina disse que está no México em férias com um namorado turco que conheceu há cerca de um mês em Ibiza. Ele a viu com os amigos brasileiros no Hotel Blue Parrot, mas ela diz não saber se ele seria capaz de fazer algo violento por ciúmes. “Não o conheço tão bem a ponto de dizer isso, mas não presenciei nenhuma briga.”