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Em Minas Gerais, comércio e turismo tentam recuperar perdas com a chuva

Na capital, 87% dos lojistas tiveram prejuízos. Cidades históricas enfrentam cancelamento de reservas e correm para se prepara para o carnaval

Por Andreá Silva, de Belo Horizonte (MG) - 13 jan 2012, 11h14

Depois da tempestade, Minas Gerais enfrenta os prejuízos. Em Belo Horizonte, que ainda sofre os efeitos das inundações, uma pesquisa da Câmera de Dirigentes lojistas (CDL) indica que 87% dos comerciantes registram queda nas vendas deste mês. Alguns estabelecimentos, principalmente os que ficam ás margens do Ribeirão Arrudas, no Bairro Prado, Gutierrez, Padre Eustáquio e na Região do Barreiro, tiveram que manter as portas fechadas.

Para amenizar as perdas, os lojistas recorreram a uma saída: anteciparam as liquidações. A economista da CDL Ana Paula Bastos explica que à população belo-horizontina já havia antecipado as compras de dezembro e, após o Natal, as vendas já haviam perdido o gás. Com a chuva, o movimento do comércio ficou ainda mais reduzido.

“O jeito foi pegar todo o estoque e fazer a remarcação dos preços. Essa solução serviu principalmente para aqueles comerciantes que precisaram fechar portas durante a chuva. Janeiro é o mês de gastos, pagamento dos tributos e renovação das mercadorias. É importante tentar reduzir as perdas”, disse Ana Paula.

A CDL vai divulgar o balanço das vendas de janeiro no dia 15 de fevereiro.

As cidades históricas, como Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João Del Rei e Congonhas, também enfrentam perdas. Ruas inundadas, estradas interditadas, hotéis e pousadas tomados pela água e lama e alertas sobre os riscos de deslizamentos de encostas afastam os visitantes.

Tiradentes é um da mais afetadas, devido à cheia do Rio das Mortes, que inundou a Rua dos Inconfidentes, principal entrada ao município. Para fazer a travessia até o centro histórico, somente pegando carona com um trator cedido pela prefeitura ou em botes. A situação é ainda mais preocupante porque há pouco mais de uma semana está prevista a 15ª Mostra de Cinema (de 20 a 29 de janeiro), um de seus eventos mais importantes do calendário cultura.

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Apesar da situação, o secretário de Turismo de Tiradentes, Felipe Gomes Barbosa, está confiante de que os problemas com alagamentos não terá influências na Mostra de Cinema e nem afetará os passeios. “Nesta sexta-feira a água já terá baixado e o fim de semana será dedicado à faxina”, disse.

Uma das principais atrações em São João Del Rei são os passeios no trem Maria Fumaça, agora suspensos por causa das enchentes também provocadas pelo Rio das Mortes. Casarões construídos há mais de dois séculos correm o risco de desabar. Várias ruas ainda estão cobertas pela água.

Em Congonhas, a associação comercial do município estima que 40% das lojas estão fechadas por causa de alagamentos. O principal hotel da cidade tinha reservas para quase 100% da capacidade, mas, apenas metade das instalações está ocupada.

Em Ouro Preto, um deslizamento de terra destruiu parte da rodoviária da cidade (o acidente provocou a morte de dois taxitas). Há uma semana, a prefeitura montou um terminal provisório para os ônibus estaduais de interestaduais. O município calcula que serão necessários 29 milhões de reais para a reconstrução das áreas atingidas. A prefeitura estima prazo de 40 dias para as obras para reconstrução da parte danificada. O desafio é fazer que o terminal volte a funcionar já para a chegada dos turistas no Carnaval.

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