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Dossiê dos aloprados: PT manda Expedito Veloso se calar

Ele é responsável por revelar envolvimento de Mercadante com o falso dossiê

Por Da Redação 21 jun 2011, 07h49

O comando do PT já deu início a ações para tentar evitar a divulgação de novas informações a respeito do escândalo do dossiê dos aloprados. Na segunda-feira, o petista Expedito Veloso – que, em gravações às quais VEJA teve acesso, admitiu o envolvimento do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, na fabricação de um falso dossiê contra o tucano José Serra, em 2006 – foi orientado a se calar. De acordo com o jornal O Globo, a ordem partiu do presidente da sigla, Rui Falcão.

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O acordo de silêncio foi acertado em um telefonema, segundo informou ao jornal a assessoria de Veloso, que hoje trabalha como secretário-adjunto na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal. O que o petista disse até agora, porém, foi suficiente para implicar Mercadante como o cabeça da operação que teve como objetivo prejudicar Serra em meio à campanha eleitoral. Nas gravações obtidas por VEJA, Veloso admite que Mercadante encomendou o material em conluio com o ex-governador Orestes Quércia. Nas investigações sobre o caso, a PF colheu 51 depoimentos, realizou 28 diligências, ordenou cinco prisões temporárias, quebrou o sigilo bancário e telefônico dos envolvidos, mas não chegou a lugar algum.

Agora, o Ministério Público pretende retomar as investigações sobre o caso. Na segunda-feira, a Procuradoria da República em Mato Grosso pediu que a PF reabra a investigação sobre o escândalo. O inquérito, que está em poder da Justiça Federal, deve ser devolvido ao Ministério Público. Como o antigo responsável pelo caso, Márcio Lúcio de Avelar, deixou o posto, um novo relator será sorteado.

A Procuradoria foi responsável por investigar o caso dos aloprados em 2006, mas as investigações pararam por falta de novos elementos. Com as revelações de VEJA, o caso foi retomado. Os procuradores não dão detalhes sobre o tipo de diligência solicitada à Polícia Federal.

O caso – Em 2006, às vésperas do primeiro turno das eleições, a Polícia Federal prendeu em um hotel de São Paulo petistas carregando uma mala com 1,7 milhão de reais. O dinheiro seria usado para a compra de documentos falsos que ligariam o tucano José Serra, candidato ao governo paulista, a um esquema de fraudes no Ministério da Saúde. O episódio ficou conhecido com escândalo do Dossiê dos Aloprados.

Nas gravações, Expedito conta que o ministro e o PT apostavam que a estratégia de envolver Serra num escândalo lhes garantiria os votos necessários para que Mercadante conquistasse o governado de São Paulo. Ele explica ainda que a compra do dossiê foi financiada por dinheiro do caixa dois da campanha petista e ainda, de maneira inusitada, pelo então candidato do PMDB ao governo paulista, Orestes Quércia. “Os dois (Mercadante e Quércia) fizeram essa parceria, inclusive financeira”, revela o bancário. “Parte vinha do PT de São Paulo. A mais significativa que eu sei era do Quércia.” Tratava-se de um pacto. “Em caso de vitória do PT, ele (Quércia) ficaria com um naco do governo”.

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