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Dilma Rousseff já deu início à quimioterapia

No sábado, dia 25 de abril, ao anunciar publicamente sua doença, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff

Por Da Redação Atualizado em 20 jan 2021, 14h27 - Publicado em 30 abr 2009, 21h41

No sábado, dia 25 de abril, ao anunciar publicamente sua doença, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, falou durante três minutos sobre a descoberta do tumor maligno na axila esquerda e a cirurgia para extirpá-lo. Garantiu que enfrentaria “com força” o tratamento quimioterápico previsto para começar em dez dias: “Meu ritmo de trabalho não vai diminuir.” A químio já havia começado. Na segunda-feira, dia 20, depois de ser medicada pela primeira vez com remédios quimioterápicos, a ministra ficou baqueada. Sentiu fortes enjôos e cansaço. O mal-estar permaneceu até o dia seguinte. Na quarta-feira, Dilma retomou e cumpriu à risca uma extensa agenda de viagens pelo Rio Grande do Sul.

A ministra passou razoavelmente bem pela primeira químio, mas isso não é sinal de que reagirá da mesma forma nas próximas cinco sessões. Nenhum paciente passa incólume pelas reações adversas de um tratamento desse tipo. A maioria perde cabelo, é acometida por fadiga e crises de enjôo e sofre anemia. A intensidade e o momento em que tais sintomas podem ocorrer variam muito de paciente para paciente. Portanto, apesar do otimismo em relação ao modo como o organismo de Dilma reagiu aos efeitos da primeira sessão, é impossível prever como o corpo se comportará nos próximos quatro meses e meio, até que as aplicações quimioterápicas cheguem ao fim.

O câncer da ministra foi descoberto em 20 de março. Uma tomografia de check-up feita a pedido de seu médico pessoal, o cardiologista Roberto Kalil, diretor do centro de cardiologia do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, identificou a presença de um gânglio de tamanho anormal (2,5 centímetros) na axila esquerda de Dilma. Para determinar a causa do inchaço, a equipe médica optou por uma cirurgia de extirpação total do gânglio. No dia 28 de março, às sete horas da manhã, a ministra voltou ao hospital paulista. Para que ninguém a reconhecesse, ela foi deitada de lado na maca, usando touca e máscara cirúrgica. A operação foi realizada por uma equipe de dez profissionais, entre médicos, enfermeiros, instrumentadores e patologistas, e durou 40 minutos. Às onze da noite, ela recebeu alta: “Estou me sentindo muito bem. Posso voltar ao trabalho”.

Tratamento – A quimioterapia aplicada em Dilma é composta por cinco medicamentos: rituximab, ciclofosfamida, doxorubicina, vincristina e prednisona. O primeiro, vendido sob nome comercial de MabThera, pertence à classe dos remédios inteligentes, programados para atingir apenas as células cancerosas, preservando as sadias de sua ação. Os outros quatro agem de maneira difusa e têm como alvo as células que se mutiplicam em ritmo acelerado – além das tumorais, as capilares e as da mucosa intestinal. Por cauda de sua ação indiscriminada, são eles os causadores das reações adversas que a ministra já começou a enfrentar. Salvo a queda de cabelo e a anemia, os outros efeitos devem durar, no máximo, um dia.

Diagnóstico – Apesar da ameaça inerente a qualquer tipo de câncer, Dilma teve sorte. Por evoluir sem dar sinais de sua existência, o tumor do qual ela é vítima só costuma ser identificado em estágios muito avançados, quando começou a se espalhar pelo organismo. Além disso, em 80% dos casos, os fatores de risco para o linfoma não-Hodgkin são desconhecidos. “Ou seja, na maioria das vezes, não há nenhum tipo de prevenção para esse tipo de câncer”, diz o médico Sergio Simon, oncologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Nos 20% restantes dos pacientes, o câncer pode surgir em decorrência de doenças que debilitam o sistema imunológico, como aids ou imunodeficiências congênitas, do uso contínuo de remédios imunossupresores ou da exposição frequente a inseticidas e herbicidas. A única possibilidade de o linfoma não-Hodgkin ser descoberto em fase inicial, como foi o de Dilma, é por meio de exames de imagem preventivos. Mesmo no caso da tomografia feita pela ministra, o nódulo poderia não ter sido localizado. Dilma foi fazer um check-up de coronárias. O exame, portanto, só pegaria a região do coração. A identificação só foi possível graças à conduta criteriosa de Kalil. Ele sempre pede para ampliar o campo de análise nos exames de imagem da região do tórax de seus pacientes. Pelo tamanho, calcula-se que o linfoma de Dilma surgiu há menos de um ano. Apesar de agressivo, é o tipo de tumor que melhor responde à quimioterapia – pelo menos 90% dos pacientes são dados como curados em dois anos.

Leia a reportagem completa em VEJA desta semana (na íntegra somente para assinantes).

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