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Dilma defende Lula e UNE – e ignora protestos contra ela

A presidente da República, Dilma Rousseff, ignorou as manifestações contra o governo que levam neste domingo milhares de pessoas às ruas pelo país e usou as redes sociais para divulgar uma nota em defesa de entidades que a apoiam e levantam bandeira em nome do ex-presidente Lula, como a UNE e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, ambos ligados ao PT.

No texto, a presidente afirma ser “intolerável” o ataque com pichações à sede da União Nacional dos Estudantes em São Paulo. Ela também repudiou o episódio denunciado por parlamentares do PT, que acusam policiais militares de São Paulo de invadirem e interromperem uma reunião sindical em Diadema (SP), no ABC paulista, em que se promovia um ato de desagravo ao ex-presidente Lula e ao ex-prefeito da cidade e ex-tesoureiro de campanhas presidenciais José de Filippi Jr, ambos investigados na Operação Lava Jato. Dilma cobrou que o governo do Estado, comandado por Geraldo Alckmin (PSDB), apure com rigor os fatos. “Lutamos por muitos anos para o restabelecimento da ordem democrática, para o funcionamento adequado das instituições e para o pleno exercício do direito à expressão e a manifestação política”, escreveu a presidente.

O Palácio do Planalto monitora as manifestações antipetistas. A dimensão dos protestos é um termômetro para governistas e oposicionistas do grau de insatisfação com Dilma, e também será levada em conta por partidos aliados que ameaçam abandonar o governo, como o PMDB. Na sexta-feira, Dilma pediu ​que manifestantes pró e contra o governo evitassem confrontos. O PT chegou a cancelar oficialmente convocações para este domingo (elas foram adiadas para os dias 18 e 31 de março), embora algumas protestos de militantes do partido e movimentos sociais alinhados tenham sido registrados, em menor escala, ao longo do dia.

Leia a nota da presidente:

É intolerável a violência cometida por vândalos que, neste sábado, atacaram a sede da União Nacional dos Estudantes (UNE), em São Paulo. Trata-se de uma ação violenta, que confunde o debate político saudável e democrático com a disseminação do ódio. Como venho afirmando à imprensa, ações que constituam provocação, violência e vandalismo prestam enorme e preocupante desserviço ao Brasil.

Lutamos por muitos anos para o restabelecimento da ordem democrática, para o funcionamento adequado das instituições e para o pleno exercício do direito à expressão e a manifestação política. O que se viu na sede da UNE, no entanto, foi um gesto de intimidação gratuita e uma afronta à democracia, e deve ser repudiado por todos aqueles que acreditam numa nação livre e democrática.

Os mesmos princípios democráticos devem ser defendidos em relação ao episódio ocorrido na subsede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em Diadema, na sexta-feira à noite. É preciso que o governo de São Paulo apure com rigor o ocorrido e as motivações para a ação de policiais armados durante uma plenária em apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Que os fatos sejam plenamente esclarecidos.