Assine VEJA a partir de R$ 9,90/mês.

Dificuldade para sair de casa e preocupação com volta

Paralisação do metrô e de trens em São Paulo pegou muitos passageiros de surpresa; congestionamento bateu recorde na capital paulista pela manhã

Por Thais Arbex - 23 maio 2012, 12h01

Por causa da greve do metrô e dos trens, muitos passageiros não conseguiram se deslocar até o trabalho – ou desistiram – na manhã desta quarta-feira, em São Paulo. Os problemas mais graves concentraram-se na Zona Leste, onde houve confronto entre policiais e manifestantes, que bloquearam a Avenida Radial Leste. O congestionamento na capital paulista bateu o recorde do ano para o período da manhã, superando a marca de 220 quilômetros. A greve prejudica pelo menos quatro milhões de pessoas.

A paralisação pegou muitas pessoas de surpresa. Desde o início da manhã, centenas de trabalhadores tentavam embarcar em ônibus lotados ou aguardavam vans ou ônibus fretados por empresas nas proximidades da estação Itaquera, na Zona Leste. Muitos desistiram. Foi o caso do analista de sistemas Diego Marcello, de 23 anos, que trabalha na Avenida Faria Lima. “Minha vontade é pegar as horas descontadas de trabalho e mandar para o metrô para ver se eles me pagam”, disse, revoltado.

A auxiliar de limpeza Maria das Dores, de 60 anos, saiu de casa às 6h30 para tentar chegar ao trabalho, mas também acabou voltando para casa.”Mesmo sabendo da greve eu vim até aqui só para não dizer que não tentei”. O tradutor Cristian Cerdeirinha, de 29 anos, esperava por mais de três horas, nesta manhã, por um ônibus fretado para se deslocar até o trabalho, na Barra Funda. “Estou preocupado com a volta, não sei se terei condução”.

Copa – A preocupação era a mesma das analistas de Recursos Humanos Cátia Alves, de 32 anos, Gislaine Machado, de 27 anos, e Elisângela Miranda, também de 27 anos. Elas trabalham na mesma empresa, na Marginal Tietê. Não sabiam da greve até esta manhã – a paralisação, que contaria decisão da Justiça, foi decidida na noite desta terça-feira, em assembleia. “Os ônibus estão muito cheios, não tem como ir como sardinha em lata”, reclamou Elisângela. “O problema é que eles só estão preocupados com a nossa ida. A preocupação da volta tem que ser só nossa”, completou Gislaine.

Publicidade

No mesmo local, cerca de cem pessoas de uma mesma empresa aguardavam a chegada de ônibus fretados. A revolta era grande.”Quem trabalha não tem muita opção. Nós estamos sujeitos a coisas desse tipo”, disse a agente de atendimento Daiane Ferreira, de 22 anos que fazia parte do grupo. “Para quem pega o metrô todos os dias, nao foi surpresa – ainda mais depois do acidente no Carrão. Isso só mostra que a cidade não está preparada para receber a Copa”. A estação Itaquera fica bem perto do futuro estádio do Corinthians.

Publicidade