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Dez anos depois, o ex-comandante dos bombeiros de NY ainda não encontrou a paz

Por Por Daphné BENOIT 8 set 2011, 18h16

Dez anos se passaram, mas os olhos azuis ainda se tornam sombrios ao falar de “seus homens”, mortos como heróis nos atentados do 11 de Setembro: comandante do Corpo de Bombeiros de Nova York, em 2001, Thomas Von Essen ainda se mostra assombrado por aquele dia. A morte de Bin Laden não curou suas feridas.

“Para mim, era apenas um dia de trabalho comum. Dirigia-me à corporação quando recebi um aviso sobre um avião que teria batido contra a torre norte do World Trade Center (WTC). Cheguei muito rápido. Compreendemos imediatamente a gravidade do problema”, confiou este homem, nascido no Brooklyn.

“Quando sentimos as vibrações na torre norte, chegamos a pensar numa explosão. Na realidade, era o segundo avião que atingia a torre sul. Foi aí que compreendi que estávamos sendo atacados”, conta o sexagenário, de passagem por Paris.

“Naquele momento, meu colega Ray Downey, chefe das operações especiais, voltou-se para mim dizendo: ‘Patrão, esses prédios podem cair’. Vou me lembrar para sempre de seu olhar: nenhum medo, só profissionalismo”.

O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, ordenou a Thomas Von Essen ficar a seu lado para administrar a crise. Ele deixou o Ground Zero no momento em que centenas de bombeiros subiam às duas torres, de 110 andares, para tentar socorrer os feridos e ajudá-los a sair de lá; 343 deles desapareceriam sob os escombros.

Foi o início de uma longa série de enterros, cerimônias fúnebres, cartas de pêsames a assinar.

“Durante dois meses, as coisas ficavam cada vez pior”, recorda-se, citando “a mãe que perdeu o filho e o marido” socorristas, ou “o capitão-bombeiro que perdeu dois filhos” nos atentados. “Além do dia trágico, foi a administração do ‘depois’ a mais dolorosa”.

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Traumatizado, Thomas Von Essen acabou por se afastar, após 31 anos de serviço no Corpo de Bombeiros de Nova York. Ele é, hoje, consultor de segurança de uma grande empresa americana.

“Poderia ter ficado no meu posto, mas estava emocionalmente esvaziado, e queria fazer outra coisa”, explicou.

Segundo ele, “as autoridades americanas empreenderam um esforço real para ajudar as pessoas que passaram diretamente por este drama”, como as equipes de resgate, vítimas de problemas respiratórios ligados à poeira do WTC.

“Em troca, confiou, cometemos um grave erro ao declarar guerra ao Iraque, mesmo se pensássemos que fazíamos bem. A França teve razão a esse respeito”.

“No começo, achava as teorias da conspiração insultantes para as famílias das vítimas. Mas, depois de um momento, compreendi que há um grupo de pessoas embrutecidas nesta terra, junto a seu computador, e que não podemos fazer nada contra elas”.

Há muitos anos, Von Essen mora em Nova York, mas evita tanto quanto possível retornar ao Ground Zero.

E a morte de Osama Bin Laden não aliviou este homem enlutado.

“Não senti a alegria que os outros provaram. No entanto, fiquei contente em saber que os peixes iram comê-lo”, disse ele, quando Washington anunciou ter atirado ao mar os restos do inimigo número um dos Estados Unidos.

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