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Deputado vai ao MP pedir a prisão de responsáveis por desperdício de mil toneladas de remédios no Rio

No fim de semana, VEJA revelou que 700 toneladas de remédios e material hospitalar foram queimados pela secretaria estadual de Saúde. Ontem, mais 300 foram encontrados em depósito público

Por Da Redação 23 fev 2016, 16h18

O deputado Pedro Fernandes (SDD), presidente da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, vai pedir ao Ministério Público a prisão de representantes da empresa e de agentes públicos que deixaram que houvesse o desperdício de mil toneladas de remédios e materiais hospitalares. Conforme VEJA revelou no fim de semana, 700 toneladas de remédios e material hospitalar foram queimados pela secretaria estadual de Saúde entre 2014 e 2015. Fernandes, responsável pela inspeção que ontem encontrou mais 300 toneladas de insumos em um depósito público, encaminhará o pedido ao procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira. “A situação é absurda. Os responsáveis por isso têm que ser presos e esse dinheiro tem que voltar para o estado”, afirma o parlamentar.

As toneladas jogadas fora por validade expirada saíram da Central Geral de Abastecimento (CGA) da secretaria da Saúde, uma espécie de grande almoxarifado que armazena o estoque do estado. A central é administrada pelo consórcio privado LogRio, formado pelas empresas Facility e Prol Soluções, ambas ligadas ao empresário Arthur Cezar Soares – o rei Arthur, apelido que ganhou por ter faturado mais de 1 bilhão em contratos de terceirização de mão de obra durante o governo Sérgio Cabral.

Em janeiro, a secretaria informa que renegociou o contrato com a a LogRio, obtendo uma redução no valor de 43%. O consórcio, que recebia R$ 4,4 milhões por mês para executar os serviços em unidades próprias e nos municípios do interior, vai passar a ganhar R$ 2,5 milhões. A economia em 2016 será de mais de R$ 23 milhões – o contrato caiu de R$ 53 milhões para R$ 30 milhões por ano.

A empresa também é investigada pelo MP, que fez uma vistoria no depósito em janeiro. Segundo a 8ª Promotoria de Tutela Coletiva e Cidadania da capital, que apura crimes contra o patrimônio público, o prejuízo aos cofres públicos detectado na ocasião é de pouco mais de R$ 2 milhões. Segundo o MP, no local havia próteses de quadril de até R$ 15 mil. O inquérito civil também pode concluir que houve ato de improbidade administrativa no controle do material.

Hoje, Pezão se manifestou sobre o escândalo dos medicamentos: “Tem que ouvir as pessoas que administravam. Pedi a apuração desde o fim do ano, não é de agora. Isso já vinha sendo apurado pelo nosso governo. Como criamos controle das OS, a gente está criando de medicamentos, muito do surgimento disso foi da nossa apuração”, disse o governador.

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