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Depoimentos complicam ex-chefe de Polícia Civil do Rio

Informante que colaborava com investigações diz que Allan Turnowski receberia 'mensalão' de quadrilhas; delegado denuncia rede de corrupção

Por Da Redação 17 fev 2011, 11h47

Os desdobramentos da crise na Polícia Civil do Rio de Janeiro indicam que, para o ex-chefe da instituição, delegado Allan Turnowski, desembarcar da cadeira foi só o primeiro passo de um longo calvário. Dois depoimentos, um de um informante que atuava junto às delegacias, outro do delegado Cláudio Ferraz, ex-diretor da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), lançam sobre Turnowski suspeitas de favorecimento a milícias e de recebimento de uma espécie de mensalão de quadrilhas de caça-níqueis e de exploração do camelódromo do Rio.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal ‘O Globo’, um informante que atuou por 15 anos em investigações comandadas pelo delegado Carlos Oliveira, braço-direito do ex-chefe de polícia, declarou à polícia que Turnowski tinha conhecimento de ações criminosas dentro da polícia. O informante disse ainda que o Turnowkis receberia 100 mil reais por mês para não reprimir a venda de protdutos falsificados e de contrabando no camelódromo, no centro do Rio.

As denúncias de corrupção vão além. O informante acusa o ex-chefe de polícia, ainda, de receber 500 mil reais por mês de um sargento da Polícia Militar que controla uma milícia e máquinas caça-níqueis na região de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio.

Turnowski negou as acusações de envolvimento com a milícia e de favorecimento a camelôs. O ex-chefe de polícia é aguardado para depor, pela segunda vez, à Polícia Federal, que foi escolhida para executar a Operação Guilhotina. A ação, deflagrada na última sexta-feira, cumpriu mais de 30 mandados de prisão contra policiais civis e militares com base em uma investigação sobre vazamento de informações e venda de armas a traficantes.

A trama em que o ex-chefe de polícia se vê envolvido se conecta, ainda, com atentados e execuções. O informante afirma que a quadrilha que se relacionava com Turnowski é a mesma que planejou o assassinato do sargento do Exército Volber Roberto da Silva Filho, em junho de 2010. Volber teria sido morto como ‘queima de arquivo’, pois ele seria o responsável pela instalação de bombas usadas em dois atentados: um contra o contraventor Rogério Andrade, em abril, e outro que feriu o policial Militar Rony Lessa.

Ligações com milícia – Depois de ser acusado por Turnowski de “favorecimento indevido” para encerrar um inquérito que investigava superfaturamento em prefeituras, o delegado Cláudio Ferraz também reforçou suas cargas contra o ex-chefe de polícia. Em depoimento à corregedoria interna da Polícia Civil, como informa ‘O Globo’, Ferraz declarou que Carlos Oliveira, na época em que atuava como braço-direito de Turnowski, organizou uma operação na Favela da Coreia, na zona oeste, para roubar armas e entregar o material a milicianos. As armas seriam dadas ao policial militar Ricardo Afonso Fernandes, o Afonsinho, que comandava um grupo de paramilitares em Ramos, na zona norte.

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