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Delegado acusado de envolvimento com traficantes se apresenta à polícia

Carlos Oliveira, que já foi subchefe da instituição, chegou à delegacia com dois advogados e será encaminhado para detenção

Acusado de participação em um esquema que envolvia venda de informações a traficantes e explorava o chamado ‘espólio de guerra’, como são chamados os bens das quadrilhas, o delegado Carlos Antônio Luiz de Oliveira se entregou no final da tarde desta sexta-feira, na sede da Polícia Federal do Rio. Ele estava foragido desde a manhã, quando foi deflagrada a Operação Guilhotina, cujo objetivo é prender policiais envolvidos com a venda de informações, armas e drogas para traficantes e milicianos.

Oliveira chegou acompanhado por dois advogados para prestar depoimento. A previsão da polícia é de que, após os esclarecimentos, ele faça exame de corpo de delito e seja levado para o departamento prisional do estado.

Até o momento, da lista com 45 mandados de prisão, 35 já foram cumpridos. Por enquanto, foram capturados 19 policiais militares e oito policiais civis. Oliveira é o nome mais importante da lista, por ter sido próximo da cúpula da Polícia Civil do Rio e, atualmente, ocupar um posto de confiança na prefeitura. Ele foi titular da Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae) e subchefe operacional da Polícia Civil do Rio.

A nomeação para o cargo de subchefe foi anunciada em 2009, pelo chefe da Polícia Civil do Rio, o delegado Allan Turnowski. Nesta sexta, Turnowski condenou a conduta de seu ex-braço direito. “Se comprovado, do jeito que está aparecendo na denúncia, é pior do que se fosse uma pessoa que eu não conheço. Você dá um voto de confiança, bota do seu lado, e essa pessoa desvia. O nome disso é traição”, disse, demonstrando irritação.

Oliveira assumiu a subsecretaria de Operações da Secretaria Especial da Ordem Pública (Seop) há pouco mais de um mês. A prefeitura já anunciou que vai exonerá-lo. Em nota oficial, a Seop informou que “vai acompanhar atentamente as investigações da Polícia Federal”.

Em uma entrevista coletiva para apresentar os resultados e os motivos da Operação Guilhotina, Beltrame, manifestou, mais uma vez, seu repúdio ao envolvimento de agentes da lei com o crime. “Nenhuma polícia do mundo vira a página enquanto tiver em seus quadros esse tipo de gente”, disse. Em seguida, defendeu a necessidade de a polícia “cortar na própria carne” para “extirpar” os maus policiais.

Pela manhã, foi ouvido, na condição de testemunha, o chefe de Polícia Civil, delegado Allan Turnowski. Segundo Beltrame, o depoimento se fez necessário por ser ele a autoridade máxima de uma instituição que está sendo alvo de investigações. O secretário afirmou que Turnowski “goza de sua confiança”.

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