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Janot tenta pressionar o TSE, diz defesa de Temer

O TSE julgará a partir desta terça-feira se a chapa eleita em 2014 cometeu crime de abuso de poder econômico

Por Da redação Atualizado em 5 jun 2017, 08h47 - Publicado em 5 jun 2017, 07h56

O advogado do presidente Michel Temer, Gustavo Guedes, acusou neste domingo o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de tentar pressionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que anule seu mandato no julgamento que deve começar na terça-feira. “Temos indicativos de que virão movimentos e iniciativas de Janot às vésperas do julgamento do TSE na tentativa de constranger o tribunal a condenar o presidente”, disse Guedes ao jornal Folha de S. Paulo.

O TSE julgará a partir desta terça-feira se a eleição de 2014 – na que foi eleita a chapa Dilma Rousseff-Michel Temer – teve financiamento ilegal proveniente do escândalo da Petrobras. O julgamento, que está previsto para durar três dias, mas que pode se prolongar se algum dos juízes pedir vista para revisar o caso, poderia anular o mandato de Temer, que assumiu o cargo há um ano, após o impeachment de Dilma.

  • Em 17 de maio foi divulgada uma gravação, incluída nas delações premiadas dos executivos do frigorífico JBS, em que Temer parece dar aval ao pagamento de propina. Em meio a pedidos de renúncia e impeachment, o Supremo Tribunal Federal (STF) investiga Temer, depois que Janot o acusou de corrupção, organização criminosa e obstrução da justiça.

    Uma das provas que Janot usou para sustentar sua acusação foi essa gravação realizada pelo dono da JBS, Joesley Batista. “Nos preocupa muito o procurador-geral da República se valer de toda a estrutura que tem para tentar constranger um tribunal superior”, afirmou Guedes à Folha.

    O advogado disse que chegaram informações ao Palácio do Planalto de que Janot tem mais gravações comprometedoras em seu poder e que poderia torná-las públicas antes do julgamento no TSE. Guedes também manifestou suas suspeitas sobre a demora na chegada do interrogatório por escrito que Janot autorizou que a Polícia Federal fizesse a Temer, e que o presidente teria só 24 horas para responder.

    ‘Nenhum’

    Janot poderia dar mais um passo no caso e denunciar formalmente o presidente, mas para que isso ocorra, dois terços do Congresso e o ministro Edson Fachin deveriam aceitar essa denúncia, obrigando-o a se afastar do cargo. Em nova entrevista sobre a atuação do procurador-geral no caso, Gustavo Guedes criticou ao Estado de S.Paulo o que chamou de “atuação política do Ministério Público.

    Para o advogado de Temer, a suposta pressa em concluir o processo e oferecer uma denúncia seria inconsistente com os prazos e ritos processuais comuns a esse tipo de caso. “Qual inquérito da Lava Jato foi concluído em dez dias, mesmo com presos? Nenhum”, concluiu.

    (com agência AFP)

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