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Datas: o fim do iPod e a morte de Alberico de Souza Cruz

Na terça-feira 10 de maio, a invenção da Apple foi definitivamente retirada das linhas de produção

Por Da Redação Atualizado em 13 Maio 2022, 15h58 - Publicado em 13 Maio 2022, 06h00

No livro The Perfect Thing (A coisa perfeita), o jornalista americano Steven Levy — um dos pioneiros do acompanhamento das notícias do Vale do Silício — descreveu o momento em que Bill Gates pôs pela primeira vez a mão em um iPod, o tocador de música que o arquirrival Steve Jobs apresentaria ao mundo no dia seguinte, o histórico 23 de outubro de 2001. Foi o próprio Levy, que recebera o aparelhinho com exclusividade, quem o mostrou a Gates. O relato: “No final do jantar, no momento exato em que os outros convidados levantavam-se, afastando suas cadeiras, peguei o iPod e o coloquei na frente de Gates. ‘Você já viu isso?’, perguntei. Naquele instante, Gates entrou em uma dimensão que só posso descrever como uma cena de um filme que não sei ao certo se vi. Mas, sem dúvida alguma, alguém já filmou uma saga de ficção científica em que um alienígena, ao ser confrontado com um objeto desconhecido, cria um tipo de túnel de força entre ele e o objeto que lhe permite sugar e transportar diretamente para o cérebro todas as informações possíveis sobre o objeto. Depois de ter absorvido todos os detalhes do aparelho, Gates o devolveu a mim. ‘Parece um produto muito bom’, disse. Depois fez uma pequena pausa. Alguma coisa não estava batendo. ‘É exclusivo para Macintosh?’, perguntou”.

A indagação invejosa do criador da Microsoft é a perfeita medida do espanto que a invenção da Apple produziria. O iPod — lançado pouco depois dos atentados de 11 de setembro — foi o único tema afeito a superar as conversas em torno dos ataques terroristas e do medo que se espalhava naquele tempo. A peça branca que cabia na palma da mão, capaz de armazenar 1 000 faixas, um monólito esteticamente impecável, inaugurou uma indústria, promoveu uma revolução. O iPod foi o prelúdio do iPhone, atalho para o streaming que hoje ocupa corações e mentes. Desde 2001, a Apple vendeu 450 milhões de unidades das diversas versões do produto. No ano passado, foram negociados 3 milhões de iPods, pequena fração dos estimados 250 milhões de iPhones. E então, na terça-feira 10 de maio, foi anunciada a morte do iPod, definitivamente retirado das linhas de produção.

Cabe sugerir uma trilha sonora para as exéquias da genial traquitana eletrônica, montada a partir das sete primeiras escolhas que o próprio Jobs baixou no iPod inaugural: o segundo movimento da sinfonia Júpiter, de Mozart; Jagged Little Pill, de Alanis Morissette; o disco inteiro da apresentação de Bob Dylan no Royal Albert Hall, de Londres, em 1966; as Variações Goldberg, de Bach, com o piano de Glenn Gould; Kind of Blue, de Miles Davis; A Hard Day’s Night, dos Beatles; e Take Five, com Dave Brubeck. R.I.P., iPod.

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NOTÍCIAS - Alberico de Souza Cruz: diretor de jornalismo da Globo durante a Guerra do Golfo e a Eco 92 -
NOTÍCIAS – Alberico de Souza Cruz: diretor de jornalismo da Globo durante a Guerra do Golfo e a Eco 92 – Carlos Wrede/Agência O Globo

Como diretor de jornalismo da TV Globo entre 1990 e 1995, o mineiro Alberico de Souza Cruz esteve no centro de algumas das principais coberturas da emissora, de relevância internacional: a Guerra do Golfo, a Eco 92 e as eleições americanas que levariam Bill Clinton à Casa Branca. Um pouco antes de assumir o posto, em 1989, como braço direito do então diretor Armando Nogueira, coube a ele a edição do debate entre Fernando Collor e Lula, criticado por reforçar o desempenho do então candidato pelo PRN, que seria eleito presidente. Souza Cruz trabalhou também no Jornal do Brasil e em VEJA. Morreu aos 84 anos, em 10 de maio, de complicações de uma leucemia.

Publicado em VEJA de 18 de maio de 2022, edição nº 2789

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