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Crivella: Falta histórica de investimentos causa crises após chuvas no Rio

Cidade segue em estado mais grave de crise com possibilidade de novas chuvas fortes ao longo do dia e risco de alagamentos e deslizamentos

Desde a noite desta segunda-feira 8, o Rio de Janeiro se encontra em grave estado de crise após um alto volume de chuvas, resultando na morte de ao menos quatro pessoas. É a segunda vez em menos de dois meses que a capital fluminense entra em colapso em virtude de condições climáticas.

Em entrevista coletiva, o prefeito Marcelo Crivella (PRB) atribui a nova crise à falta “histórica” de investimentos e a colocou como uma situação de gravidade compartilhada – segundo Crivella, as parcerias com o governo federal “praticamente pararam” nos primeiros meses do governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

“Temos milhares de famílias morando em área de risco. Temos 750.000 bueiros que precisam ser limpos constantemente. Agora, os recursos para isso são pequenos. Dependemos de parcerias com o governo federal. A cidade do Rio de Janeiro contribui para o governo federal com 160 bilhões de reais por ano com impostos. E só recebemos de lá para cá, com muita dificuldade, 5 bilhões de reais”, disse.

Procurada por VEJA, a assessoria de imprensa no Palácio do Planalto não se manifestou até a publicação desta nota. Pelas redes sociais, Carlos Bolsonaro (PSC), filho do presidente que é vereador na cidade, afirmou que “chuvas e irresponsabilidades trazem este tipo de resultado ao Rio”. “Novo é o prefeito culpar o presidente com pouco mais de três meses de mandato e realizando o que pode pelo país”, escreveu.

Assim como na última vez, o prefeito voltou a aconselhar que “ninguém que não precisa saia às ruas”, o que provavelmente já aconteceria diante de temporais e alagamentos. O despreparo para lidar com as inconstâncias do clima ficou evidente no episódio do Morro da Babilônia, onde um deslizamento matou duas pessoas. Havia uma sirene na comunidade que soaria apenas após 45 milímetros de índice pluviométrico, mas o soterramento aconteceu aos 39 milímetros.

“Vamos estudar, nesses lugares críticos, diminuir ainda mais o índice pluviométrico, para tentar remediar problemas”, admitiu Crivella. Ao todo, 45 sirenes em 26 comunidades foram acionadas entre a madrugada e a manhã pela Defesa Civil. Na mesma entrevista, o prefeito afirmou que “nenhum de nós esperava um volume [de chuvas] desse”.

Durante a entrevista, Marcelo Crivella estimou em quase 800 os pontos da cidade sem luz. Boletim do COR das 11h15 estimou em quinze as vias com interdições totais ou parciais. O prefeito estimou em 5.000 o número de funcionários municipais que estão nas ruas em ações de contenção de danos.

As aulas na rede municipal foram suspensas o dia inteiro. Na estadual, na partes da tarde e noite. O governador Wilson Witzel (PSC) decretou ponto facultativo nas repartições públicas da região metropolitana.

Transportes

Algumas vias da cidade foram fechadas durante a madrugada, como o Alto da Boa Vista e Avenida Niemeyer. Segundo a operadora do sistema metropolitano de trens, a SuperVia, a operação está alterada em alguns ramais. Santa Cruz, Japeri e Belford Roxo estão com intervalos irregulares e paradas para aguardar ordem de circulação em alguns trechos; no ramal Deodoro os trens circulam com intervalos irregulares e podem aguardar ordem de circulação em ambos os sentidos.

Segundo o aviso da empresa, os trens paradores no sentido Deodoro e Campo Grande não estão parando nas estações Riachuelo, Sampaio, Engenho Novo, Méier e Piedade. A estação São Francisco Xavier foi reaberta e os trens sentido Deodoro e Campo Grande voltaram a parar em Oswaldo Cruz.

No ramal Santa Cruz, os trens sentido zona oeste não estão parando na estação Magalhães Bastos. Em Saracuruna, a operação foi retomada, mas com intervalos irregulares. A estação Olaria está fechada.

Não há alterações na operação do metrô. No sistema de BRT, os serviços foram retomados com intervalos irregulares entre Jardim Oceânico e Magarça, bem como nos corredores Transcarioca e Transolímpica.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)