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Crise nos presídios se agrava, e Maranhão registra noite de ataques nas ruas

Quatro ônibus foram incendiados e criminosos dispararam contra uma delegacia em retaliação a revistas da Polícia Militar nas celas do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís

(Atualizada às 16h30)

Em meio a uma grave crise em seu sistema prisional, com possibilidade de intervenção federal, São Luís (MA) registrou quatro ataques contra ônibus e uma delegacia na noite desta sexta-feira. A Secretaria Estadual de Segurança Pública também confirmou a morte de um policial militar.

Quatro ônibus foram incendiados nas ruas da capital maranhense. Cinco pessoas sofreram queimaduras, entre elas uma criança de seis anos que está em estado grave – teve 90% do corpo queimado. O 9º Distrito Policial de São Luís também foi alvo de bandidos, que dispararam tiros contra o prédio. A PM ampliou seu efetivo nas ruas da cidade neste sábado e o sindicato dos trabalhadores de transporte rodoviário dediciu suspender a circulação de ônibus após as 18h de hoje.

Segundo as investigações da polícia, as ordens para os ataques foram dadas por presos ligados a facções criminosas, em retaliação a revistas feitas nas celas do Complexo Penitenciário de Pedrinhas – foram apreendidas uma pistola e dezenas de telefones celulares.

A segurança em Pedrinhas foi reforçada por homens do Batalhão de Choque da Polícia Militar para tentar conter a sequência de mortes de detentos em disputa de facções criminosas inimigas no presídio. Desde janeiro do ano passado, 62 presos foram assassinados, dois deles nos primeiros dias deste ano.

As mortes – a maioria de forma brutal, com decapitações e esquartejamentos – alarmaram o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que acionou a Procuradoria-Geral da República após uma inspeção no local. Na sequência, a PGR cobrou um relatório do governo do Maranhão sobre a situação prisional no Estado – o prazo para entrega expira na segunda-feira.

Pedrinhas é o maior complexo penitenciário do Maranhão, com capacidade para abrigar 1.700 homens. No entanto, atualmente há 2.200 encarcerados no local.

A Secretaria de Segurança Pública maranhense informou, em nota, que “identificou de onde saiu a ordem e quem a recebeu para a execução dos ataques” e prometeu “providências complementares” nas unidades prisionais de São Luís. “Entre elas, estão a ampliação da vigilância com câmeras, a intensificação das revistas nas celas, o aumento da fiscalização interna com o Batalhão de Choque e a fiscalização externa com rondas”, disse.

(Com Estadão Conteúdo)