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Comandante da PM expulsa policiais que cobraram propina

Cabo e sargento são acusados de exigir dez mil reais para liberar o atropelador do filho de Cissa Guimarães

Por Leo Pinheiro 5 out 2010, 20h47

Os policiais são culpados no processo por falsidade ideológica, descumprimento de missão e corrupção passiva

A Polícia Militar confirmou, na tarde desta terça-feira, a expulsão do cabo Marcelo Bigon e do sargento Marcelo Leal, policiais militares acusados de cobrar propina do engenheiro Roberto Martins Bussamra e de seu filho, o estudante Rafael Bussamra, motorista do carro que atropelou e matou o músico Rafael Mascarenhas, filho caçula da atriz Cissa Guimarães, na madrugada de 20 de julho, no Túnel Acústico, na Gávea, zona Sul do Rio de Janeiro.

O comandante geral da corporação, coronel Mário Sérgio Duarte, entendeu que os policiais são culpados no processo por falsidade ideológica, descumprimento de missão e corrupção passiva. Os dois cobraram dez mil reais para liberar Bussamra e ignorar as grandes avarias no Siena do atropelador na noite do acidente.

Em julgamento da Justiça Militar, a juíza Ana Paula Barros interrogou, no dia 9 de setembro, Rafael e Roberto Bussamra, que confirmaram que os militares exigiram o pagamento de dez mil reais para liberá-los, e que, na manhã seguinte ao atropelamento, Roberto teria pago mil reais depois de quatro telefonemas ameaçadores do sargento Leal.

Na última audiência, em 28 de setembro, a juíza ouviu os depoimentos das testemunhas arroladas pelos advogados de defesa dos dois militares, entre elas André Liberal, que estava de carona no carro de Rafael Bussamra, Walter Fonseca Filho, sócio do funileiro Paulo Sérgio Muglia, que fez o conserto no carro de Bussamra na manhã seguinte ao acidente, o tenente Fernandes e o soldado Sidcley, do 23 º batalhão (Leblon), responsáveis pela supervisão do cabo Bigon e do sargento Leal na noite do crime.

O advogado de Marcelo Bigon, Claudenor de Brito, reclamou da decisão, alegando que Guilherme Bussamra, arrolado como testemunha de defesa, não foi ouvido. “Meu cliente foi expulso sumária e arbitrariamente, pois não teve direito às alegações finais. Não foi feita a última audiência para dar o veredito”, disse Brito, que vai entrar com mandado de segurança na Vara de Fazenda para anular o resultado do julgamento e reintegrar o cabo à corporação.

Embora o destino dos policiais militares já tenha sido decidido pelo comando da PM, ambos continuam presos no Batalhão Especial Prisional, em Benfica, zona Norte da cidade. Agora eles poderão ser julgados também pela justiça comum.

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