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Com Milei, sem vice e sem Michelle: como será convenção de Flávio e do PL em SP

A pouco mais de dois meses para eleições, campanha do senador enfrenta dificuldades enquanto se mantém como nome mais competitivo contra Lula

Por Laísa Dall'Agnol Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 25 jul 2026, 07h00
Com Milei, sem vice e sem Michelle: como será convenção de Flávio e do PL em SP Priorizar nos meus resultados Google

A uma semana do fim do prazo da Justiça Eleitoral, o Partido Liberal (PL) realiza neste sábado, 25, a convenção nacional da legenda que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

O evento, que acontece a partir das 10h no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, também homologará as candidaturas do partido a governos estaduais, Senado, Câmara e Assembleias Legislativas.

Apesar da cerimônia, que vem sendo alardeada com ares de grandiosidade nas redes pelos principais quadros da sigla, a oficialização se dá em um momento de alerta dentro do PL.

A praticamente dois meses da eleição que decidirá o próximo presidente da República, a legenda não conseguiu garantir o embarque de nenhuma outra sigla para a corrida presidencial de Flávio. O senador e sua equipe tentam, cada vez mais resignadamente, o apoio do Republicanos —  aparentemente o único dos grandes partidos do Centrão que ainda não rejeitou a adesão formal ao projeto bolsonarista. Nesta semana, a federação União Progressista, cotada como um ativo para a candidatura, anunciou que ficará neutra na disputa pelo Planalto.

Além da dificuldade em reunir apoios maciços de outros partidos — e como parte deste mesmo imbróglio — o PL também se vê às voltas com a escolha do vice que dividirá a chapa com Flávio. Com as opções já escassas pela míngua de aliados e em meio à alta de rejeição do eleitorado feminino, o senador também precisou centrar a escolha na figura de uma candidata mulher. Apesar da preferência e da insistência de nomes como o cacique Valdemar Costa Neto pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), outras postulantes se mostraram mais viáveis, entre elas a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Até o fim desta sexta, 24, no entanto, nenhum nome estava formalmente fechado.

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Ao mesmo tempo, a candidatura de Flávio se vê fustigada por conflitos internos e familiares. Os mais recentes incluem o avanço das investigações em torno das relações de Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro. Nesta semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar o financiamento do dono do Master para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Além do entrave, o desagravo entre Michelle Bolsonaro e o senador ainda ecoa negativamente na campanha. Nesta quinta, 23, a ex-primeira-dama e Flávio selaram o que tudo indica ser um armistício, mas ainda é incerto se o gesto terá efeito definitivo sobre o impacto sentido nas pesquisas de intenção de voto contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Michelle, inclusive, não deve participar da convenção deste sábado, 25.

Como se os problemas externos já não fossem o bastante, Flávio também cria para si novos focos de desgaste. Nesta semana, foi a vez de atacar — mais uma vez sem provas — a lisura do sistema eleitoral brasileiro. Parecendo seguir à risca o roteiro de seu pai, o senador disse, durante evento com diplomatas, que as urnas eletrônicas do país são de uma empresa venezuelana e que um relatório da CIA provaria que ela esteve envolvida num plano de fraude eleitoral do ex-mandatário Nicolás Maduro, em 2012.

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Milei, Tarcísio e trunfo da polarização

Como nem tudo são agruras, a convenção deste sábado também deve reservar bons logros para a candidatura de Flávio Bolsonaro e para o PL como um todo.

Quem desembarcou na sexta, 24, em São Paulo, para participar do evento, foi o presidente da Argentina, Javier Milei, que dará apoio pessoalmente à pré-candidatura presidencial do senador. A viagem faz parte de uma turnê mais ampla que vai passar pela extrema direita latino-americana: depois do Brasil, o argentino “anarcocapitalista” segue para o Peru, para a posse da ultraconservadora Keiko Fujimori; ao Equador, para conversas com Daniel Noboa, o presidente que faz “guerra às gangues”; e à Colômbia, para a posse do direitista Abelardo de la Espriella.

O evento do PL também deverá servir para sacramentar a “fotografia” de uma chapa unida, robusta e competitiva no maior colégio eleitoral do país. Além de Flávio e caciques importantes, estarão presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP).

Apesar das dificuldades para Flávio e para o PL, fato é que a campanha do senador se mostra, até agora, como a única da direita realmente competitiva contra Lula. Enquanto postulantes como Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem emparelhados na lanterna e abaixo dos 10% nas pesquisas, Flávio continua num patamar próximo ao do petista. Pesquisa Real Time Big Data divulgada na última terça, 21, mostrou uma ligeira recuperação do senador contra o atual presidente: oscilando dois pontos percentuais para cima, Flávio tem 33% das intenções de voto contra 40% de Lula.

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