Com Milei, sem vice e sem Michelle: como será convenção de Flávio e do PL em SP
A pouco mais de dois meses para eleições, campanha do senador enfrenta dificuldades enquanto se mantém como nome mais competitivo contra Lula
A uma semana do fim do prazo da Justiça Eleitoral, o Partido Liberal (PL) realiza neste sábado, 25, a convenção nacional da legenda que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O evento, que acontece a partir das 10h no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, também homologará as candidaturas do partido a governos estaduais, Senado, Câmara e Assembleias Legislativas.
Apesar da cerimônia, que vem sendo alardeada com ares de grandiosidade nas redes pelos principais quadros da sigla, a oficialização se dá em um momento de alerta dentro do PL.
A praticamente dois meses da eleição que decidirá o próximo presidente da República, a legenda não conseguiu garantir o embarque de nenhuma outra sigla para a corrida presidencial de Flávio. O senador e sua equipe tentam, cada vez mais resignadamente, o apoio do Republicanos — aparentemente o único dos grandes partidos do Centrão que ainda não rejeitou a adesão formal ao projeto bolsonarista. Nesta semana, a federação União Progressista, cotada como um ativo para a candidatura, anunciou que ficará neutra na disputa pelo Planalto.
Além da dificuldade em reunir apoios maciços de outros partidos — e como parte deste mesmo imbróglio — o PL também se vê às voltas com a escolha do vice que dividirá a chapa com Flávio. Com as opções já escassas pela míngua de aliados e em meio à alta de rejeição do eleitorado feminino, o senador também precisou centrar a escolha na figura de uma candidata mulher. Apesar da preferência e da insistência de nomes como o cacique Valdemar Costa Neto pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), outras postulantes se mostraram mais viáveis, entre elas a ex-presidente da Caixa Daniella Marques. Até o fim desta sexta, 24, no entanto, nenhum nome estava formalmente fechado.
Ao mesmo tempo, a candidatura de Flávio se vê fustigada por conflitos internos e familiares. Os mais recentes incluem o avanço das investigações em torno das relações de Daniel Vorcaro com Flávio Bolsonaro. Nesta semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito para investigar o financiamento do dono do Master para o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Além do entrave, o desagravo entre Michelle Bolsonaro e o senador ainda ecoa negativamente na campanha. Nesta quinta, 23, a ex-primeira-dama e Flávio selaram o que tudo indica ser um armistício, mas ainda é incerto se o gesto terá efeito definitivo sobre o impacto sentido nas pesquisas de intenção de voto contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Michelle, inclusive, não deve participar da convenção deste sábado, 25.
Como se os problemas externos já não fossem o bastante, Flávio também cria para si novos focos de desgaste. Nesta semana, foi a vez de atacar — mais uma vez sem provas — a lisura do sistema eleitoral brasileiro. Parecendo seguir à risca o roteiro de seu pai, o senador disse, durante evento com diplomatas, que as urnas eletrônicas do país são de uma empresa venezuelana e que um relatório da CIA provaria que ela esteve envolvida num plano de fraude eleitoral do ex-mandatário Nicolás Maduro, em 2012.
Milei, Tarcísio e trunfo da polarização
Como nem tudo são agruras, a convenção deste sábado também deve reservar bons logros para a candidatura de Flávio Bolsonaro e para o PL como um todo.
Quem desembarcou na sexta, 24, em São Paulo, para participar do evento, foi o presidente da Argentina, Javier Milei, que dará apoio pessoalmente à pré-candidatura presidencial do senador. A viagem faz parte de uma turnê mais ampla que vai passar pela extrema direita latino-americana: depois do Brasil, o argentino “anarcocapitalista” segue para o Peru, para a posse da ultraconservadora Keiko Fujimori; ao Equador, para conversas com Daniel Noboa, o presidente que faz “guerra às gangues”; e à Colômbia, para a posse do direitista Abelardo de la Espriella.
O evento do PL também deverá servir para sacramentar a “fotografia” de uma chapa unida, robusta e competitiva no maior colégio eleitoral do país. Além de Flávio e caciques importantes, estarão presentes o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PP-SP) e André do Prado (PL-SP).
Apesar das dificuldades para Flávio e para o PL, fato é que a campanha do senador se mostra, até agora, como a única da direita realmente competitiva contra Lula. Enquanto postulantes como Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) aparecem emparelhados na lanterna e abaixo dos 10% nas pesquisas, Flávio continua num patamar próximo ao do petista. Pesquisa Real Time Big Data divulgada na última terça, 21, mostrou uma ligeira recuperação do senador contra o atual presidente: oscilando dois pontos percentuais para cima, Flávio tem 33% das intenções de voto contra 40% de Lula.






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