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Celso Daniel: procurador cita suspeita de mais mandantes

VEJA teve acesso ao ofício que recomenda uma nova linha investigatória para o assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT)

Por Felipe Frazão, Silvio Navarro Atualizado em 18 nov 2016, 20h04 - Publicado em 18 nov 2016, 19h35

O procurador de Justiça Edílson Mougenot Bonfim citou suspeitas da existência de outros mandantes do assassinato do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel (PT), ocorrido em 2002, no pedido de retomada das investigações endereçado ao chefe do Ministério Público de São Paulo, procurador-geral Gianpaolo Poggio Smanio. VEJA teve acesso ao ofício elaborador por Bonfim, até então mantido em sigilo. Ele sugere que a denúncia criminal pode ser ampliada para apontar novos responsáveis pela morte.

Em reunião de cúpula do MP, o material foi encaminhado pelo procurador-geral Smanio ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). A unidade do Gaeco no ABC paulista mantém um inquérito aberto desde 2005 para apurar “eventuais partícipes” na morte de Celso Daniel.

Vídeo: cara a cara com os assassinos de Celso Daniel

“Surgiram ‘provas novas’ desconhecidas à época das primitivas investigações, de modo a justificar uma nova frente investigatória para a completa elucidação do crime que vitimou Celso Daniel,  especialmente no que se refere à apuração de outro(s) eventua(l)is mandantes”, escreveu o procurador.

Bonfim foi chamado a dar parecer em uma apelação criminal do réu Elcyd Oliveira Brito, um dos seis condenados pelo crime. O recurso corre em segredo de Justiça. No documento, ele cita nominalmente o ex-secretário municipal da gestão Celso Daniel  Klinger Luiz de Oliveira Souza e o empresário do ramo de transportes Ronan Maria Pinto, ambos condenados por corrupção em primeira instância.

Na peça, Bonfim faz alusão, entre outros fatos, à revelação do operador do mensalão Marcos Valério de um empréstimo para calar Ronan Maria Pinto, que estaria chantageando o ex-presidente Lula, e os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho. Ronan ameaçava envolvê-los no crime, conforme Valério afirmou ao Ministério Público Federal em 2012. A Operação Lava-Jato revelou que o amigo de Lula e empresário José Carlos Bumlai levantou recursos para repassar 6 milhões de reais a Ronan.

O procurador também afirma que a Lava-Jato mostrou “fatos criminosos no país referentes à corrupção institucionalizada, ao crime organizado, em modelo de conduta ou organização semelhante, análogo ou vinculado ao que se praticava em Santo André quando do homicídio do então prefeito Celso Daniel”. Em outro trecho, ele afirma como justificativa para a abertura de uma nova linha apuratória “a possibilidade do ‘hibridismo’ dos partícipes (troca de posições nas organizações criminosas) e, especialmente, as ramificações de referida(s) organização (ões), cujas ações nefastas conjugavam interesses partidários e palacianos ao de empresariados locais, ensejando poder a uns, dinheiro a outros e poder e dinheiro a alguns outros”.

“Pela logística do crime de homicídio que vitimou Celso Daniel com o necessário emprego de vultosos recursos e engenhosos meios, baseado no surgimento de provas novas e, ainda, lastreado em ‘máxima de experiência’, ousamos dizer que há a fundada suspeita de que tenha havido um número maior de mandantes além daquele apontado inicialmente nos autos. Considerando, por fim, outras suspeitas, possivelmente fundadas, que vinculam aos fatos Ronan Maria Pinto e Klinger de Oliveira Souza, dentre outras pessoas que não necessitam neste momento serem mencionadas, mas que, identificáveis em outros autos, documentos e mídias e que, eventualmente confirmadas, podem sujeitar à responsabilização penal pelo aditamento da inicial acusatória”, escreveu Bonfim.

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