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Bombeiro que inalou fumaças tóxica segue em estado grave

David Marcelino ainda respira com ajuda de aparelhos e não tem previsão de alta; incêndio químico foi controlado nesta sexta-feira

Por Eduardo Gonçalves 27 set 2013, 17h51

Intoxicado pela fumaça de um incêndio químico na cidade de São Francisco do Sul, o bombeiro David Marcelino, de 59 anos, segue internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville, Santa Catarina. Segundo a assessoria do hospital, ele ainda respira com a ajuda de aparelhos, mas teve uma leve melhora em relação à quinta-feira, quando chegou na unidade entubado e em coma induzido.

Após 54 horas de trabalho ininterrupto, equipes do Corpo de Bombeiro, oriundas de várias localidades de Santa Catarina, conseguiram extinguir o incêndio químico a uma carga de fertilizante em um terminal marítimo nesta sexta-feira. Desde a madrugada de terça, a oxidação do material vinha produzindo uma nuvem de fumaça espessa de cor laranja, que provocava tosse, olhos avermelhados, náuseas, irritação nas vias nasais, entre outros sintomas.

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Na madrugada de quinta-feira, Marcelino atuava no combate ao incêndio quando inalou a fumaça e teve as vias respiratórias bloqueadas pela toxina liberada na queima dos componentes químicos. Inicialmente, ele foi levado para o Hospital Nossa Senhora das Graças, em São Francisco do Sul, onde mais de 170 pessoas haviam sido atendidas devido aos efeitos da fumaça. De lá, foi transferido para o Hospital Hans Dieter Shimidt, em Joiville, onde permanece internado. Por enquanto, não há previsão de alta.

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Tóxico – Na quarta-feira, o governo do estado de Santa Catarina chegou a informar que a fumaça não era tóxica, mas depois retificou o comunicado classificando-a como “moderadamente perigosa”. Não houve o registro de nenhuma morte em função do incêndio.

Alarmada com a nuvem de fumaça que subia do local atingido e movimentava-se no sentido do vento, a população abandonou as suas casas e fugiu da cidade. Cerca de 380 pessoas estão abrigadas numa escola estadual do município. Em nota, os bombeiros pediram calma às pessoas que desejarem retornar aos seus lares. Órgãos de segurança devem dar orientações de como limpar as residências atingidas pela fumaça.

O Ibama e o Instituto Geral de Perícias começaram, nesta sexta, a investigar as causas do incidente e a avaliar os danos ambientais provocados pelo incêndio. Segundo o governo catarinense, não houve registro na Polícia Militar de saques ou arrombamentos aos imóveis, que também estão sob proteção do Exército.

Operação – Por se tratar de um incêndio químico, no qual não há fogo ou explosão, os bombeiros tiveram de utilizar métodos diferenciados para controlar a oxidação do fertilizante. Dois milhões de litros de água encharcaram cerca de 10 000 toneladas do produto para impedir a combustão do nitrato de amônio e, assim, interromper a formação da fumaça tóxica. Parte da água utilizada foi drenada para uma piscina, montada na área, para evitar a contaminação da vegetação local.

Mesmo com o incêndio controlado, os bombeiros recomendam à população que mantenha uma distância de pelo menos 400 metros do galpão destruído. Segundo a corporação, o local ainda é considerado “área de emergência”.

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